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Lula trava quase 1 milhão de beneficiários no Bolsa Família e fila atinge recorde do governo

Lula trava quase 1 milhão de beneficiários no Bolsa Família e fila atinge recorde do governo

Corte de verbas, falta de transparência e represamento de famílias pobres revelam desgaste crescente do programa social em ano pré-eleitoral

Por: Redação

20/11/2025 às 10:01

Imagem de Lula trava quase 1 milhão de beneficiários no Bolsa Família e fila atinge recorde do governo

Foto: Roberta Aline (MDS)

A fila de brasileiros habilitados para receber o Bolsa Família atingiu 987,6 mil pessoas em novembro de 2025, o maior número desde julho de 2022. 

Apesar de o governo insistir que não há piora econômica estrutural, o avanço da fila ocorre por represamento da concessão do benefício, uma decisão política do Palácio do Planalto em meio ao aperto orçamentário do fim do ano.

Segundo o texto oficial, milhares de famílias já apresentaram toda a documentação necessária aos Centros de Referência de Assistência Social, mas seguem travadas por falta de verba e por revisões cadastrais que vêm sendo feitas sem transparência.

O programa atende hoje 18,7 milhões de famílias, o menor número desde julho de 2022. Desde que Lula reassumiu a Presidência, 2,9 milhões de pessoas deixaram o programa — parte por aumento de renda, parte por supostas fraudes e parte por bloqueios sem explicação clara.

 

Orçamento estourado, cortes agressivos e falta de explicação

O documento mostra que o governo Lula gastou R$ 146,5 bilhões com o Bolsa Família entre janeiro e novembro. O orçamento autorizado para 2025 é de R$ 158,6 bilhões — restam apenas R$ 12,1 bilhões para fechar dezembro, valor insuficiente para pagar a folha do mês, que em novembro custou R$ 12,7 bilhões.

Por isso, a orientação do Ministério do Desenvolvimento Social tem sido segurar novas concessões, mesmo sabendo que as famílias habilitadas têm renda per capita inferior a R$ 218 por mês.

 

Quem sofre são os mais pobres — e o governo sabe disso

A reportagem traz relatos dramáticos:

Roseane Pereira, grávida e mãe de dois filhos, luta desde o início do ano para receber o benefício. “Quem realmente precisa está sendo privado do que é nosso direito”, diz ela.

Uma outra beneficiária afirma estar habilitada desde agosto, mas sempre recebe a mesma resposta: “Tem que aguardar”. 

Brenda Amaral, de Porto Alegre, ouviu da assistência social que foi aprovada, mas ninguém sabe quando o pagamento virá.

O retrato é o mesmo em dezenas de grupos de Facebook monitorados pela matéria: indignação, atraso e falta de respostas.

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