Master pagou R$ 5 milhões a escritório de Lewandowski já como ministro
Indicação partiu de Jaques Wagner, segundo o próprio senador
Por: Redação
26/01/2026 às 21:34

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
O escritório de advocacia do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski manteve um contrato de consultoria jurídica com o Banco Master por quase dois anos depois de ele assumir o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O acordo previa pagamentos de R$ 250 mil por mês e rendeu cerca de R$ 6,5 milhões brutos ao escritório da família do ex-ministro.
Segundo apuração divulgada pelo Metrópoles, a contratação do escritório Lewandowski Advogados ocorreu a pedido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que confirmou ter feito a indicação. Wagner também foi citado como responsável por sugerir a contratação do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega ao banco, o que o senador nega.
O contrato entre o Banco Master e o escritório foi assinado em 28 de agosto de 2023 e permaneceu em vigor até setembro de 2025. Nesse período, Lewandowski já estava há 21 meses no Ministério da Justiça — ele assumiu o cargo em janeiro de 2024. Do total pago, R$ 5,25 milhões foram desembolsados após sua entrada no governo.
Ao assumir o ministério, Lewandowski deixou formalmente a sociedade de advogados. A retirada foi registrada em 17 de janeiro de 2024, e o escritório passou a ser administrado exclusivamente por seus filhos, Enrique de Abreu Lewandowski e Yara de Abreu Lewandowski.
O objeto do contrato era a “prestação de serviços de consultoria jurídica e institucional de caráter estratégico”. Entre as atribuições previstas estava a participação em reuniões do Comitê Estratégico do Banco Master. No entanto, segundo a apuração, Lewandowski participou de apenas duas reuniões durante todo o período contratual.
Após a ida do ex-ministro para o governo, o banco passou a ser representado formalmente por Enrique Lewandowski. Ainda assim, de acordo com a coluna, não houve entregas relevantes ao banco por parte do escritório, embora os pagamentos tenham continuado mensalmente.
Por meio de nota, Lewandowski afirmou que deixou o escritório e suspendeu seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ao assumir o ministério. “Deixando de atuar em todos os casos”, diz o texto.
Jaques Wagner confirmou a indicação de Lewandowski ao Banco Master, mas negou ter sugerido Guido Mantega. Segundo o senador, o banco buscava “um bom jurista” após a saída de Lewandowski do STF, e a sugestão foi considerada adequada pela instituição.
A defesa do controlador do banco, Daniel Vorcaro, afirmou que as contratações ocorreram “dentro de parâmetros profissionais, regulares e técnicos”.
Indicado ao STF por Lula em 2006, Lewandowski sempre manteve relação próxima com o PT.
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