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Ministra do Trabalho de Cuba renuncia após negar existência de mendigos no país

Ministra do Trabalho de Cuba renuncia após negar existência de mendigos no país

Marta Elena Feitó-Cabrera foi criticada por declarações consideradas insensíveis sobre pobreza e vulnerabilidade social; governo e Partido Comunista aceitaram pedido de demissão

Por: Redação

16/07/2025 às 10:51

A ministra do Trabalho e Previdência Social de Cuba, Marta Elena Feitó-Cabrera

Foto: Bohemia

A ministra do Trabalho e Previdência Social de Cuba, Marta Elena Feitó-Cabrera, renunciou ao cargo nesta terça-feira (15), dias após declarações polêmicas em sessão parlamentar que negavam a existência de mendigos no país. A fala, transmitida ao vivo pelo Canal Caribe, gerou forte reação pública e política, inclusive de figuras do alto escalão do regime comunista.

Durante a sessão, Feitó-Cabrera afirmou que os supostos mendigos nas ruas de Cuba estariam, na verdade, “disfarçados”, sugerindo que fingem pobreza para obter dinheiro nos semáforos e gastá-lo “com bebidas alcoólicas nas esquinas”. “Temos visto pessoas que aparentam ser mendigos, mas, quando você olha as mãos, quando você olha as roupas, estão disfarçadas”, disse.

Ela ainda classificou os cidadãos que vasculham o lixo em busca de alimentos ou itens reaproveitáveis como “participantes ilegais do serviço de reciclagem”. As declarações foram duramente criticadas nas redes sociais por ativistas cubanos, dissidentes e observadores internacionais, que apontaram insensibilidade diante do crescente empobrecimento da população da ilha.

 

Reação do regime

O governo cubano e o Partido Comunista aceitaram rapidamente a renúncia da ministra, justificando a saída por sua “falta de objetividade e sensibilidade” ao tratar de questões sociais centrais. Em tom de reprimenda, o presidente Miguel Díaz-Canel comentou indiretamente o episódio em publicação na rede social X (antigo Twitter): “É muito questionável a falta de sensibilidade na abordagem da vulnerabilidade. A Revolução não pode deixar ninguém para trás.”

Apesar do discurso oficial que nega a existência de pobreza extrema em Cuba, os relatos de cidadãos e vídeos compartilhados nas redes mostram o avanço da miséria em várias regiões, agravado por uma economia em colapso, escassez de alimentos e falta de liberdade econômica.

 

Censura e contradição

A queda da ministra expõe a tensão interna entre manter o discurso propagandístico da Revolução e a realidade cotidiana da população cubana. Negar a existência de pobreza em um país que vive há décadas sob racionamento e com migração em massa tem se tornado uma tarefa cada vez mais insustentável até mesmo para os quadros do alto escalão do regime.

Para analistas críticos ao comunismo cubano, o episódio demonstra como o sistema não tolera desvios nem mesmo dentro de suas fileiras, especialmente quando esses desvios expõem as contradições do discurso estatal sobre “igualdade” e “justiça social”.

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