Início
/
Notícias
/
Brasil
/
Ministros do STF atuam nos bastidores para barrar CPMI do Banco Master no Senado
Ministros do STF atuam nos bastidores para barrar CPMI do Banco Master no Senado
Pressões atribuídas a Dias Toffoli e Alexandre de Moraes elevam tensão entre Judiciário e Congresso e reacendem debate sobre transparência institucional
Por: Redação
06/02/2026 às 08:29

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm atuado nos bastidores do Congresso Nacional para tentar impedir a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar o colapso do Banco Master. Segundo relatos de interlocutores do Senado ouvidos pela imprensa, as articulações envolvem diretamente os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes e recaem sobre o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
O requerimento de criação da CPMI foi formalizado na terça-feira (3) e reúne 281 assinaturas — 42 de senadores e 239 de deputados — número superior ao mínimo constitucional exigido. A mobilização é liderada pelo Partido Liberal (PL), que concentra a maior parte das adesões, refletindo o interesse da oposição em aprofundar a apuração sobre eventuais irregularidades envolvendo o banco, atualmente em processo de liquidação.
Nos bastidores, parlamentares afirmam que a resistência de ministros do STF estaria relacionada ao temor de desgaste institucional da Corte, especialmente diante da possibilidade de convocação de familiares para prestar depoimento. A oposição pretende investigar contratos milionários firmados entre o Banco Master e pessoas próximas aos ministros, além de eventuais interferências no processo de supervisão do sistema financeiro.
Um dos principais focos da CPMI envolve contratos atribuídos à advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Documentos obtidos por parlamentares indicam que o acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por um período de três anos, totalizando cerca de R$ 130 milhões. As cláusulas previam atuação junto a órgãos como Receita Federal, Cade, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Banco Central, embora não haja confirmação oficial de serviços efetivamente prestados por essas instituições.
No caso do ministro Dias Toffoli, a oposição pretende apurar vínculos indiretos com um resort de alto padrão no Paraná, empreendimento que teria participação societária ligada a familiares do controlador do Banco Master. O episódio ganha relevância adicional pelo fato de Toffoli atuar como relator de processos relacionados ao banco no STF, onde adotou medidas controversas, como a imposição de sigilo e a centralização de informações em seu gabinete.
O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), autor do requerimento da CPMI, defende que a comissão tem respaldo legal para investigar familiares e assessores de autoridades públicas. Segundo ele, a apuração deve alcançar possíveis omissões regulatórias, pressões institucionais e tentativas de interferência indevida no Banco Central. Jordy também sustenta que, diante dos fatos, Toffoli deveria se afastar da relatoria dos processos envolvendo o Master.
Para parlamentares da oposição, a tentativa de barrar a CPMI reforça a percepção de desequilíbrio entre os Poderes e expõe dificuldades históricas de fiscalização sobre o Judiciário.
Veja mais em >>> Rede Comunica Brasil
Assine nossa news letter
Receba as principais notícias do dia direto no seu e-mail.




