Moraes se ausenta de ato do 8 de Janeiro no Planalto
Mesmo sendo o principal relator dos processos do 8/1, ministro do STF não comparece a cerimônias do Planalto nem da Corte, enquanto Lula tenta transformar a data em palco político
Por: Redação
07/01/2026 às 22:42

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes não participará da cerimônia organizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para marcar os três anos dos atos de 8 de Janeiro de 2023, prevista para esta quinta-feira (8), no Palácio do Planalto. Moraes também não estará presente no evento promovido pelo próprio STF. A justificativa formal é o recesso do Judiciário.
A ausência chama atenção pelo peso simbólico e político. Moraes foi o principal responsável pela condução das investigações sobre os atos de 8 de Janeiro, relatou a ação penal que apurou a suposta tentativa de golpe de Estado e votou pela condenação de todos os réus do processo, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ainda assim, optou por não comparecer a nenhum dos atos públicos que buscam consolidar a narrativa oficial sobre o episódio.
O ministro também foi alvo de um suposto plano atribuído a militares, batizado de “Punhal Verde e Amarelo”, que previa seu sequestro ou assassinato, além de ações contra Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Mesmo com esse histórico, Moraes decidiu manter distância das cerimônias, em um gesto interpretado nos bastidores como sinal de cautela institucional — ou desconforto político.
Embora esteja em recesso, Moraes segue despachando normalmente. No Judiciário, o período não equivale a férias: prazos processuais ficam suspensos, mas ministros mantêm plenos poderes para decidir, inclusive por meio de liminares. O gabinete de Moraes continua atuando, especialmente nos processos ligados à execução das penas impostas aos condenados do 8 de Janeiro.
Nos últimos dias, o ministro tem analisado pedidos relacionados à situação prisional de Bolsonaro, o que reforça que a ausência nos eventos não se deve à inatividade funcional, mas a uma escolha deliberada de não participar das solenidades.
No Supremo, apenas os ministros Edson Fachin e Cármen Lúcia confirmaram presença até o momento. A Corte programou uma série de atividades sob o título “Democracia Inabalada: 8 de janeiro – Um dia para não esquecer”, com exposição, documentário e debates ao longo do dia.
Já no Planalto, o governo Lula realiza uma cerimônia oficial a partir das 10h, no Salão Nobre, com a presença de autoridades dos Três Poderes. Do lado de fora, movimentos sociais e militância ligada ao PT acompanham o evento por telões. Após o ato interno, Lula deve descer a rampa para cumprimentar apoiadores, repetindo um roteiro já conhecido de mobilização política.
A ausência de Moraes, figura central na condução dos processos do 8 de Janeiro, acaba esvaziando simbolicamente a tentativa do Planalto de transformar a data em um marco consensual.
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