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“Não temo investigação”, diz Gilmar sobre fórum em Lisboa bancado por verba pública
“Não temo investigação”, diz Gilmar sobre fórum em Lisboa bancado por verba pública
Ministro do STF reage a pressão do partido Chega, de Portugal, enquanto governo Lula mantém apoio a evento cercado de autoridades e críticas sobre gastos e transparência
Por: Redação
03/07/2025 às 08:33

Foto: Divulgação/STF
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (2) que “não teme nenhuma investigação” sobre o Fórum Jurídico de Lisboa, evento que comanda há 13 edições na capital portuguesa e que tem recebido apoio de figuras centrais do governo Lula. O encontro, apelidado de “Gilmarpalooza”, atrai ministros, parlamentares e autoridades que cruzam o Atlântico anualmente, com custos muitas vezes cobertos por verbas públicas ou patrocinadores ligados ao poder.
A declaração foi uma resposta direta ao deputado português André Ventura, líder do partido Chega (direita), que afirmou nas redes sociais que irá investigar o que chama de “rede de interesses, influência e patrimônio” de Gilmar Mendes em Portugal. Segundo ele, há “milhares de denúncias” relacionadas ao evento, mas nenhum detalhe concreto foi apresentado até o momento.
Questionado se a ofensiva do parlamentar causou qualquer mudança nos planos ou estrutura do fórum, Gilmar minimizou: “O evento é absolutamente transparente. Não temo nenhuma investigação”.
Apesar do tom confiante, o episódio reacende o debate sobre a proximidade entre o Judiciário brasileiro e o governo federal. O Fórum de Lisboa, que deveria ser um espaço técnico-acadêmico, tem se transformado em uma vitrine política internacional — e, nesta edição, contou com a presença de ministros, deputados e até mesmo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em meio a uma crise institucional com o Planalto.
Ao tentar desqualificar Ventura, Gilmar sugeriu motivação eleitoral: “Talvez seja reflexo dessa confusão brasileira. Vocês sabem que, em Portugal, há um grande número de eleitores brasileiros que vota nas eleições daqui. Certamente, é possível que estejam utilizando essa falsa crítica para interesses eleitorais”.
Enquanto isso, o governo Lula mantém seu silêncio conveniente. Nenhum ministro presente ao evento comentou os questionamentos sobre transparência e financiamento. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o da Justiça, Ricardo Lewandowski, foram alguns dos nomes que participaram da edição deste ano, em meio a cortes no orçamento federal e promessas de ajuste fiscal.
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