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Nepal vive colapso político e jovens usam Discord para indicar líder de transição
Nepal vive colapso político e jovens usam Discord para indicar líder de transição
Crise econômica e protestos estudantis derrubaram governo em Katmandu; militares recorreram a plataforma digital para ouvir população
Por: Redação
15/09/2025 às 09:15

Foto: Sujan Gurung
A convulsão que tomou as ruas de Katmandu, no Nepal, começou como tantas outras de nosso tempo: inflação, desigualdade, escândalos de corrupção e a fagulha de uma proibição de redes sociais. Em poucos dias, a juventude tomou as ruas, o Parlamento foi incendiado, o governo caiu e o Exército decretou toque de recolher.
Para analistas, como a empreendedora indiana Divya Gandotra Tandon, a sequência seguiu o mesmo padrão já visto em Sri Lanka e Bangladesh: crise econômica, movimentos liderados por jovens, descrédito nas instituições e renúncias obtidas sob pressão popular. No Nepal, porém, tudo ocorreu de forma mais rápida e mais visível.
Após os confrontos, soldados ocuparam as avenidas e o comandante do Exército pediu calma em pronunciamento. Ao mesmo tempo, a juventude que havia incendiado prédios públicos iniciou mutirões para limpar escombros, repintar muros e devolver móveis saqueados.
Parlamento no Discord
Com a internet sob bloqueios, a política migrou para um espaço inesperado: um servidor no aplicativo Discord. Batizado de Hami Nepal, o grupo ultrapassou 100 mil participantes em poucos dias. Moderadores impuseram regras mínimas de convivência, abriram rodadas de fala e realizaram enquetes.
A dinâmica funcionou como uma espécie de mini-eleição. A pedido dos militares, os jovens foram instados a indicar um nome para liderar a transição. Entre trolls, disputas e consensos difíceis, emergiu a escolha de Sushila Karki, ex-presidente da Suprema Corte.
No dia seguinte, aos 73 anos, Karki foi confirmada para assumir a liderança provisória do país — um processo que começou na praça, migrou para a tela do celular e terminou no palácio presidencial.
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