Oposição ocupa Congresso e exige anistia e impeachment de Moraes
Em protesto contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, deputados e senadores aliados promovem obstrução e revezamento nos plenários da Câmara e do Senado
Por: Redação
06/08/2025 às 10:37

A oposição aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) transformou os plenários da Câmara dos Deputados e do Senado em palco de protesto durante a madrugada desta quarta-feira (6), após a decretação da prisão domiciliar de Bolsonaro pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O grupo exige a votação de um “pacote da paz”, que inclui anistia irrestrita, impeachment de Moraes e fim do foro privilegiado.
Desde a noite anterior, parlamentares se revezam a cada cinco horas para manter ocupados os espaços do Congresso e impedir o avanço das pautas legislativas. A estratégia visa pressionar os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a dialogar com a oposição e colocar as demandas em pauta.
Na Câmara, a obstrução foi eficaz: as comissões temáticas foram paralisadas por falta de quórum ou por manobras regimentais. Líderes da oposição, como o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), boicotaram a reunião emergencial convocada por Motta, que decidiu cancelar a sessão plenária e reunir líderes nesta quinta-feira.
“Determinei o encerramento da sessão do dia de hoje e amanhã chamarei reunião de líderes para tratar da pauta, que sempre será definida com base no diálogo e no respeito institucional”, disse Motta em nota.
No Senado, porém, a estratégia não teve o mesmo efeito. Apesar da presença de senadores oposicionistas na tribuna, as comissões continuam funcionando normalmente, com quórum garantido pela base governista, que detém maioria. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, foi direto ao criticar os atos da oposição, classificando-os como “arbitrários” e “alheios aos princípios democráticos”.
Oposição cobra reunião com líderes do Congresso
Para destravar o funcionamento do Legislativo, os oposicionistas pedem uma reunião conjunta entre Hugo Motta, Davi Alcolumbre e os líderes aliados de Bolsonaro, com o objetivo de alinhar a tramitação do chamado “pacote da paz” nas duas casas.
Desde o início da atual legislatura, essa é a quarta tentativa de obstrução promovida pela oposição. Em setembro de 2024, parlamentares de direita já haviam paralisado os trabalhos exigindo o impeachment de Alexandre de Moraes. A iniciativa foi ignorada por Rodrigo Pacheco (PSD-MG), então presidente do Senado.
Novas tentativas ocorreram em março e abril de 2025, respectivamente para contestar o julgamento de Bolsonaro no STF e pressionar pela votação da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Nenhuma delas teve êxito prático.
Agora, com Bolsonaro sob prisão domiciliar, a oposição aposta em maior mobilização para forçar uma reação institucional — mas enfrenta resistência tanto do governo quanto de setores do próprio Congresso.
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