OVERCLEAN: Prefeitos baianos presos por porte ilegal são soltos após fiança
Investigados por desvio de recursos e fraudes em licitações, gestores de Ibipitanga e Boquira foram presos por porte ilegal e afastados dos cargos na Operação Overclean
Por: Redação
27/06/2025 às 23:32

Foto: Divulgação
Soltos no fim da tarde desta sexta-feira (27) após pagamento de fiança, os prefeitos Humberto Rodrigues (PT), de Ibipitanga, e Alan França (PSB), de Boquira, continuam no centro de uma das investigações mais graves de corrupção envolvendo prefeituras do interior da Bahia. Alvos da Operação Overclean, ambos foram presos em flagrante por porte ilegal de armas durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Apesar de libertados, seguem afastados dos cargos.
A ação foi conduzida pela Polícia Federal, em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal, com mandados expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No total, foram cumpridas 16 ordens judiciais em Salvador, Camaçari, Boquira, Ibipitanga e Paratinga.
O cerco se fechou após investigações que apontam um esquema de corrupção envolvendo o pagamento de propinas para liberação de emendas parlamentares — com participação direta de prefeitos, empresários e até assessores do deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), que teve o sigilo telefônico quebrado por decisão do STF. Segundo a PF, o grupo manipulava licitações e contratos administrativos para desviar recursos públicos.
Entre os crimes investigados estão corrupção ativa e passiva, fraude em licitações, peculato, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa. O assessor parlamentar Marcelo Gomes é apontado como operador do esquema e também foi alvo de busca e apreensão.
Apesar da gravidade dos indícios, os prefeitos foram liberados com pagamento de fiança — cujos valores seguem em sigilo. Humberto Rodrigues, conhecido como "Beto", já está em seu terceiro mandato. Declarou patrimônio de R$ 1 milhão, incluindo um apartamento de R$ 600 mil em Salvador. Já Alan França, eleito em 2024, declarou bens no valor de R$ 250 mil, incluindo cabeças de gado e um carro.
O episódio levanta questionamentos sobre o uso político das emendas parlamentares e escancara a fragilidade dos mecanismos de controle sobre recursos públicos em pequenos municípios, onde acordos de bastidor transformam verbas federais em fonte de enriquecimento ilícito — com pouca fiscalização e impunidade recorrente.
Veja mais em >>> Rede Comunica Brasil
Assine nossa news letter
Receba as principais notícias do dia direto no seu e-mail.


