Panamá evita levar Lula para conhecer parte do canal feita pelo EUA
Governo panamenho opta por Eclusa de Cocolí, enquanto Miraflores, símbolo da engenharia americana, fica fora do roteiro presidencial
Por: Redação
28/01/2026 às 07:56

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será levado, nesta quarta-feira (28), para conhecer uma das eclusas do Canal do Panamá, estrutura que funciona como um sistema de elevação para embarcações. A visita, no entanto, ocorrerá de forma fechada e longe da área mais emblemática do canal.
O governo panamenho decidiu conduzir Lula e outros chefes de Estado à Eclusa de Cocolí, uma das menores estruturas do complexo e construída já sob administração do Panamá. A principal atração turística do canal, a Eclusa de Miraflores, inaugurada em 1914 pelos Estados Unidos, não faz parte do roteiro presidencial.
A escolha ocorre em um momento de sensibilidade diplomática. Recentemente, o Canal do Panamá voltou ao centro do debate geopolítico após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que manifestou interesse em retomar maior controle sobre a estratégica passagem marítima.
Diante da pressão, o presidente do Panamá, José Mulino, firmou um acordo com Washington para reduzir tensões, autorizando a realização de exercícios militares de tropas americanas em território panamenho. A decisão de manter Lula distante da parte do canal associada à presença histórica dos EUA é vista, nos bastidores, como uma medida de cautela diplomática.
Lula chegou ao Panamá no fim da tarde de terça-feira (27). Logo após o desembarque, reuniu-se no hotel com o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, liderança associada à direita latino-americana. O presidente brasileiro também deve se encontrar com Rodrigo Paz e participar de uma reunião bilateral com José Mulino.
O principal compromisso da agenda presidencial no país caribenho será o Fórum Econômico Internacional do Panamá, conhecido como a “Davos latino-americana”. Lula será o segundo chefe de Estado a discursar no evento, que reúne líderes políticos e empresariais da região.
Durante a visita oficial, o presidente brasileiro receberá ainda a Ordem Manuel Amador Guerrero, a mais alta condecoração do Panamá, concedida a personalidades com destaque nos campos da política, da ciência e das artes.
Lula viaja acompanhado de quatro ministros: Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), Simone Tebet (Planejamento), Gustavo Feliciano (Turismo) e Mauro Vieira (Itamaraty).
A viagem ocorre sob atenção de analistas políticos e diplomáticos, em meio a um cenário regional marcado pela reorganização de alianças, avanço de lideranças conservadoras na América Latina e crescente disputa de influência entre potências globais.
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