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PCC extorque moradores da Favela do Moinho que aceitam mudar para habitação social

PCC extorque moradores da Favela do Moinho que aceitam mudar para habitação social

Famílias relatam ameaças e cobranças de até R$ 100 mil para sair dos imóveis. Líder preso em 2024 coordena esquema, segundo investigação

Por: Redação

07/07/2025 às 09:15

Favela do Moinho, nos Campos Elíseos, centro de SP

Foto: Mílton Jung/Flickr

Moradores da Favela do Moinho, na região central de São Paulo, têm sido ameaçados e extorquidos por criminosos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) ao aceitarem se mudar para apartamentos oferecidos pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). A denúncia inclui cobranças de até R$ 100 mil por parte de traficantes e supostos “donos” dos imóveis, que exigem pagamentos como “multa” pela saída.

O esquema envolve lideranças do PCC, incluindo Leonardo Moja, conhecido como Leo do Moinho, atualmente preso desde 2024. Segundo relatos obtidos pelo portal Metrópoles, criminosos alegam que a saída dos inquilinos das casas de madeira e alvenaria “descaracterizaria” os imóveis, supostamente afetando o domínio que exercem sobre a área.

“Estão pedindo R$ 100 mil, R$ 70 mil. Muitas mães estão com medo. É a situação de não dormir à noite”, afirmou uma moradora sob anonimato.

A situação é alarmante: pelo menos quatro famílias relataram formalmente as extorsões, e outras confirmam sofrer perseguições e ameaças de retaliação. Muitas pessoas estão recusando ajuda do governo para a mudança, temendo represálias. Há até quem tenha abandonado o local na calada da noite, custeando o transporte por conta própria para evitar exposição.

Um inquérito foi instaurado pela Polícia Civil e o caso também está sob investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MPSP). O órgão já ofereceu seis denúncias por tráfico de drogas e organização criminosa contra integrantes do grupo que atua no Moinho.

Segundo levantamento, das 405 famílias que deixaram a região, 222 recusaram a mudança proposta pela CDHU — um indicativo do clima de intimidação e controle territorial exercido por criminosos.

Enquanto governo estadual e federal trocam acusações políticas sobre a gestão da favela, os moradores seguem reféns de um sistema de violência paralela, em que ocupações ilegais se tornaram fonte de renda e poder para o crime organizado. O caso reacende o debate sobre segurança pública, política habitacional e a presença do Estado em comunidades dominadas pelo tráfico.

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