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PF apura lavagem de dinheiro com debêntures e fundos imobiliários na Farra do INSS

PF apura lavagem de dinheiro com debêntures e fundos imobiliários na Farra do INSS

Investigação aponta uso de instrumentos financeiros sofisticados para ocultar recursos desviados de aposentados; esquema teria operado com apoio de operadores do mercado e conexões políticas

Por: Redação

19/12/2025 às 08:57

Imagem de PF apura lavagem de dinheiro com debêntures e fundos imobiliários na Farra do INSS

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A Polícia Federal investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como principal operador financeiro das fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social. Segundo a PF, os valores desviados teriam sido ocultados por meio de debêntures e fundos imobiliários, instrumentos financeiros de difícil rastreabilidade.

As informações constam em documentos da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada na quinta-feira (18), que ampliou o cerco sobre o núcleo financeiro do esquema. O lobista está preso desde setembro.

De acordo com a investigação, empresas ligadas ao Careca do INSS teriam transferido grandes quantias para a HBR Capital Soluções e Serviços Financeiros, sob a justificativa de compra de debêntures — títulos de dívida emitidos por empresas para captar recursos no mercado. Como a titularidade desses papéis não é pública, o dinheiro permaneceria oculto durante a fase de aquisição e, posteriormente, retornaria ao sistema financeiro como recurso lícito com a venda dos títulos.

Em um dos episódios detalhados pela PF, Rubens Oliveira Costa — apontado como “carregador de malas” do esquema — enviou ao lobista comprovantes de transferências realizadas pelas empresas Prospect e Brasília Consultoria (ambas ligadas a Antunes) à HBR, nos valores de R$ 1,2 milhão, R$ 1 milhão e R$ 40 mil, todos destinados à compra de debêntures. Em outra ocasião, os repasses somariam mais de R$ 6 milhões, com previsão de emissão de uma debênture de R$ 8,5 milhões.

A PF sustenta que o operador Rodrigo Moraes, dono da HBR e alvo da operação, teria facilitado o fluxo de valores ilícitos, criando estruturas empresariais para ocultar a origem criminosa dos recursos provenientes dos descontos associativos fraudulentos aplicados a idosos.

Outro eixo da apuração envolve aportes em fundos imobiliários, estratégia que, segundo a PF, aumenta a complexidade da movimentação financeira e reforça indícios de ocultação patrimonial. Cristiana Alcântara, identificada como integrante do núcleo administrativo do Careca do INSS, teria articulado a parceria com Rodrigo Moraes e orientado o envio de recursos para esses fundos.

Ainda conforme a investigação, Cristiana tornou-se sócia do lobista em Sociedades de Propósito Específico (SPEs) e recebeu créditos bancários de empresas sob suspeita. Por decisão do STF, ela passou a usar tornozeleira eletrônica.

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