PF descarta indiciamento de Carla Zambelli por coação a ministros do STF
Deputada continua presa na Itália, mas relatório da PF aponta ausência de provas de efetiva obstrução de processo; extradição e cassação de mandato seguem em análise
Por: Redação
24/09/2025 às 09:47

Foto: Lula MArques/Agência Brasil
A Polícia Federal concluiu que a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) não agiu para coagir ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nem para atrapalhar o andamento de sua ação penal durante sua estadia na Itália, livrando-a de indiciamento. O relatório foi enviado ao ministro Alexandre de Moraes, que encaminhou o documento à Procuradoria-Geral da República (PGR), que terá 15 dias para se manifestar sobre eventual denúncia.
Segundo o relatório, apesar de Zambelli ter verbalizado intenção de frustrar o processo, não há evidências de que tenha efetivamente tomado qualquer medida para isso. “Embora a intenção de frustrar a aplicação da lei penal tenha sido verbalizada, o comportamento de Carla Zambelli, salvo melhor juízo, não ultrapassou o campo da retórica, inexistindo prova de efetivo êxito na adoção de expedientes, contatos, articulações ou providências aptas a comprometer o regular andamento de ação penal”, afirma o documento.
A investigação, aberta em junho a pedido de Moraes, também analisou dados bancários da deputada, incluindo PIX recebidos nos 30 dias anteriores, além de ouvi-la por escrito enquanto estava fora do país. A suspeita incluía crimes de coação no curso do processo e obstrução de investigação envolvendo organização criminosa.
Zambelli foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e teve prisão preventiva decretada por Moraes após deixar o país. A deputada aguarda definição sobre extradição e responde a processo de cassação de mandato na Câmara.
O relatório da PF reforça a ausência de provas concretas de ação deliberada de Zambelli para obstruir a Justiça, o que pode ser interpretado por seus apoiadores como indício de perseguição política e uso excessivo da máquina judicial contra opositores do governo.
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