PF prende presidente da Assembleia do RJ
Rodrigo Bacellar é suspeito de vazar informações sigilosas que favoreceriam aliados ligados ao Comando Vermelho; caso reacende debate sobre corrupção estrutural no Estado
Por: Redação
03/12/2025 às 17:06

Foto: Divulgação
A Polícia Federal prendeu preventivamente, nesta quarta-feira (3), o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (União Brasil), sob suspeita de repassar informações sigilosas e atrapalhar o avanço da Operação Zargun, que investiga a atuação do Comando Vermelho dentro de estruturas políticas do Estado. A operação contou também com mandados de busca e apreensão autorizados pelo STF.
Segundo a PF, a atuação de agentes públicos ligados a Bacellar teria comprometido investigações sensíveis, favorecendo o deputado Tiego Raimundo dos Santos Silva (MDB-RJ) — conhecido como TH Joias — preso em setembro e apontado como braço político do CV. A corporação afirma que houve obstrução deliberada das diligências, com vazamento de dados estratégicos sobre a ação.
A ofensiva desta quarta-feira, batizada de Operação Unha e Carne, está diretamente relacionada à ADPF 635, a chamada ADPF das Favelas, que determinou a identificação de conexões entre facções criminosas e agentes públicos do Rio. Para os investigadores, o caso de Bacellar demonstra o avanço da simbiose entre política e crime organizado num dos Estados mais atingidos pela violência.
Apesar de hoje estar no União Brasil, Bacellar acumula histórico de passagens por sete partidos, incluindo PT, MDB, PDT e Solidariedade, além do PL, onde foi reeleito em 2022 durante o governo Bolsonaro — período em que chegou a assumir a Secretaria de Governo de Cláudio Castro (PL). A multiplicidade de legendas reforça críticas sobre carreiras políticas marcadas por oportunismo e ausência de coerência programática, comuns na política fluminense.
Para setores da direita, a prisão evidencia mais uma vez o fracasso de décadas de governos estaduais — muitos deles alinhados à esquerda ou ao centrismo fisiológico — em controlar a infiltração de facções na máquina pública. Já analistas de segurança afirmam que o rompimento dessas conexões é condição essencial para restaurar a autoridade do Estado no Rio.
A tendência é que novas fases da investigação alcancem outros agentes com possível envolvimento na proteção institucional ao crime organizado.
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