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PL arma estratégia para pautar anistia na Câmara quando Hugo Motta sair do país
PL arma estratégia para pautar anistia na Câmara quando Hugo Motta sair do país
Partido pressiona vice-presidente Altineu Côrtes para colocar proposta em votação durante ausências de Motta, mas resistência interna e recuos sucessivos frustram plano bolsonarista
Por: Redação
28/11/2025 às 06:46

Foto: José Cruz/Agência Brasil
O Partido Liberal (PL) tem articulado uma manobra para tentar pautar a anistia aos presos do 8 de Janeiro mesmo sem o aval do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A estratégia consiste em aproveitar eventuais viagens internacionais de Motta para que o vice-presidente da Casa, Altineu Côrtes (PL-RJ), assuma interinamente o comando e coloque o tema em votação. A ideia não é nova: segundo apurou o Metrópoles, Valdemar Costa Neto já pressionou Côrtes a fazer isso enquanto Motta participava da COP30, em Belém, há duas semanas. Mesmo assim, Côrtes recuou, alegando que não poderia atropelar a pauta deixada pronta pelo presidente antes de viajar.
A ofensiva continuou. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, cobrou pessoalmente que o vice-presidente cumprisse a promessa feita publicamente em agosto — quando afirmou que, na primeira oportunidade em que assumisse a presidência plena da Casa, pautaria a anistia. Sóstenes argumentou que havia um compromisso com a família Bolsonaro e que Côrtes deveria honrá-lo. Mesmo assim, o aliado voltou a negar, afirmando que ainda não havia condições políticas para avançar.
Nesta semana, o plano quase foi colocado em prática novamente, mas acabou frustrado: Motta cancelou sua viagem à Europa, onde encontraria o papa Leão XIV. Sem a ausência do presidente da Câmara, Altineu Côrtes teve de recuar mais uma vez, adiando o movimento defendido pela cúpula do PL.
O projeto de anistia defendido pelos bolsonaristas busca estender o perdão aos presos pelos atos do 8 de Janeiro e, na avaliação da oposição, poderia abrir caminho para reverter a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro. Contudo, enfrenta forte resistência no Congresso. O relator da proposta, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), tenta enterrar a ideia e defende uma alternativa mais branda, o chamado “PL da Dosimetria”, que revisa penas, mas não concede perdão.
Segundo aliados de Motta, o presidente da Câmara insiste que não há clima político para votação da anistia e alerta que o tema seria derrotado se levado ao plenário neste momento. Parlamentares do Centrão reforçam a avaliação e tentam se afastar do desgaste, temendo repercussões negativas na reta final de um ano marcado por conflitos entre Planalto, Congresso e Judiciário.
Enquanto isso, após a prisão definitiva de Bolsonaro, o PL intensificou a pressão para que o tema avance. A expectativa do partido é encontrar uma oportunidade em que o vice-presidente da Câmara assuma interinamente o comando da Casa — algo que, até agora, não se concretizou, prolongando o impasse e expondo divergências internas sobre o custo político da anistia.
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