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Prefeito de Palmas é preso por vazar dados sigilosos do STJ

Prefeito de Palmas é preso por vazar dados sigilosos do STJ

Esquema envolvia advogado, policial civil e possível servidor do tribunal; mensagens mostram antecipação de pareceres e operações da PF

Por: Redação

30/06/2025 às 08:21

O prefeito de Palmas (TO), José Eduardo de Siqueira Campos

Foto: Assembleia Legiaslativa TO

O prefeito de Palmas (TO), José Eduardo de Siqueira Campos (Podemos), foi preso nesta sexta-feira (27) pela Polícia Federal, sob suspeita de integrar um esquema de vazamento de informações sigilosas provenientes do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A operação, autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, também resultou na prisão do advogado Antônio Ianowich Filho e do policial civil Marco Augusto Velasco Albernaz.

As investigações revelam uma engrenagem organizada que operava há pelo menos um ano e meio, com acesso privilegiado a pareceres da PGR, decisões judiciais e até detalhes operacionais de futuras ações policiais. Segundo mensagens obtidas pelo Fantástico, o grupo atuava com comunicação cifrada e rotinas de consulta a sistemas internos, repassando antecipadamente informações a autoridades locais.

Em uma das conversas interceptadas, datada de novembro de 2024, um interlocutor avisava o prefeito: “Grandes chances de o governador ser afastado amanhã. Confirmado o parecer”. Em outro trecho, descrevia a operação iminente da PF: “São 16 homens, 4 equipes. Chegaram por terra”.

A PF aponta o advogado Ianowich como elo direto com o Judiciário, enquanto Albernaz usava acessos da polícia civil para monitorar investigações. A suspeita mais grave, no entanto, recai sobre um possível funcionário do gabinete de um ministro do STJ, que seria o responsável por vazar documentos restritos. A identidade do servidor ainda não foi revelada.

O STF determinou, além das prisões, o afastamento de Siqueira Campos do cargo e o bloqueio dos passaportes dos envolvidos. Para a Corte, o grupo mostrou “persistência criminosa”, mesmo após operações anteriores no Tocantins.

As mensagens revelam um padrão de atuação meticuloso. Em um trecho, um contato escreve ao prefeito: “Oi, chefe. STJ andou tudo”. Em outro, promete: “A decisão sai em horas”. A origem de boa parte dos dados sensíveis seria Brasília, epicentro das decisões judiciais, enquanto a atuação operacional concentrava-se em Palmas.

A defesa do prefeito afirmou, em nota ao Fantástico, que ele “confia no Poder Judiciário e tem a certeza de que tudo será esclarecido”. O policial Albernaz nega envolvimento e diz que recorrerá da decisão. A defesa do advogado não foi localizada. O STJ, por sua vez, declarou que não comenta investigações em curso no STF.

A apuração segue sob sigilo, e o Supremo apura se outros agentes públicos também foram beneficiados com os vazamentos.

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