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Protestos tomam cidades francesas após mudança de primeiro-ministro

Protestos tomam cidades francesas após mudança de primeiro-ministro

Manifestantes bloqueiam ruas, queimam objetos e desafiam governo de Macron em atos contra cortes orçamentários

Por: Redação

10/09/2025 às 09:52

Manifestantes seguram cartazes enquanto se reúnem em frente ao hospital Tenon durante um dia de protestos em Paris, como parte de um movimento de protesto popular chamado 'Bloquons Tout' ('Vamos Bloquear Tudo')

Foto: Benoit Tessier/Reuters

Cidades francesas registraram nesta quarta-feira (10) novos protestos em massa contra os cortes orçamentários planejados pelo governo de Emmanuel Macron. Manifestantes interromperam o trânsito, queimaram latas de lixo e entraram em confronto com a polícia, enquanto forças de segurança foram mobilizadas por todo o país para conter bloqueios e manter a ordem.

Os atos foram organizados pelo movimento “Vamos bloquear tudo” (“Bloquons tout”), que surgiu nas redes sociais em maio e não possui liderança centralizada. A mobilização acontece dois dias após a destituição do primeiro-ministro François Bayrou (Movimento Democrático, centro) e a nomeação de Sébastien Lecornu (Renascimento, centro), atual ministro da Defesa, para comandar o governo francês. Lecornu será o 7º premiê de Macron e o 5º neste segundo mandato, sinalizando continuidade nas políticas pró-mercado do presidente.

Em Paris, bombeiros removeram barricadas montadas por estudantes e a polícia deteve 132 pessoas até o momento. Em Nantes, manifestantes bloquearam uma rodovia com pneus e lixeiras em chamas, dispersados com gás lacrimogêneo. Em Montpellier, manifestantes ergueram barricadas em rotatórias e exibiam faixas pedindo a renúncia de Macron. Marselha, Lyon, Bordeaux e Toulouse também registraram atos que interromperam rodovias e tráfego de trens.

Segundo o Ministro do Interior, Bruno Retailleau, cerca de 80 mil agentes foram mobilizados em todo o país, incluindo 6 mil em Paris. A mídia francesa estimou que 100 mil pessoas participariam das manifestações.

O novo primeiro-ministro Lecornu terá como principal desafio aprovar o orçamento de 2026 em meio a um país com dívida pública equivalente a 114% do PIB. As políticas de Macron incluem redução de impostos para empresas e altas rendas e aumento da idade da aposentadoria, medidas que alimentam a insatisfação popular e motivam a mobilização nas ruas.

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