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Representante do Sindmed denuncia abandono da categoria: “A voz do médico não pode ser calada”
Representante do Sindmed denuncia abandono da categoria: “A voz do médico não pode ser calada”
Rita Virgínia expõe atrasos salariais, demissões em massa e falta de diálogo da Sesab; jornalista e deputado Leandro de Jesus reforçam críticas ao governo da Bahia
Por: Redação
02/12/2025 às 11:22

Foto: Reproducao
Em entrevista na manhã desta terça-feira (2), a representante do Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindmed), Rita Virgínia, voltou a denunciar o cenário de desrespeito e precarização enfrentado pelos profissionais da saúde no estado. A fala ocorre em meio ao agravamento da crise na rede pública, marcada por atrasos salariais, demissões e ausência total de diálogo com a Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab).
Segundo Rita, o governo de Jerônimo Rodrigues (PT) ignora sistematicamente as tentativas de negociação da categoria.
“A voz do médico não pode ser calada. Enviamos inúmeros ofícios para a Sesab, pedidos de reuniões para solucionar as questões, e não fomos atendidos. Estivemos no Conselho Estadual de Saúde duas vezes e também não fomos atendidos.”
A dirigente lembrou que o governo prometeu lançar uma licitação para contratar médicos via CLT — algo que jamais saiu do papel. Nem o Reda foi reaberto, tampouco o concurso público, que agora, segundo o governo, só deve ocorrer em 2027, coincidentemente após a eleição estadual.
“Atrasos, calotes, desrespeito aos médicos. Disseram que iam fazer uma licitação para contratar médicos via CLT e não aconteceu. Nem Reda, nem concurso público. Eles disseram que talvez o concurso aconteça em 2027. O respeito aos profissionais que cuidam de vidas não existe.”
O jornalista Flávio Sande, presente na entrevista, reforçou a crítica ao lembrar a conveniência eleitoral da promessa:
“Infelizmente vai ter gente que vai cair nesse papinho.”
Rita detalhou ainda o histórico de tentativas frustradas de diálogo.
“Desde 2022, quando assumi a gestão, a primeira reunião que tive na Sesab foi cobrando concurso, revisão do PCCCV, e até hoje, em 2025, nunca conseguimos discutir. Já fizemos 15 solicitações. O grupo queria ser demitido e perder sua carteira de trabalho para ter vínculos precários, e isso continua acontecendo. Foram demitidos mais de 180 médicos, e agora os que iriam ser demitidos neste segundo semestre tiveram a demissão postergada. O médico não pode se programar para arranjar outro emprego. Ele está à mercê da decisão do estado. Os médicos estão adoecidos com isso e devem manter um bom cuidado com o paciente como se nada estivesse acontecendo.”
A situação mais crítica envolve os atrasos salariais. Muitos profissionais não receberam sequer o salário de outubro.
“Inúmeros atrasos salariais. Normalmente quem é CLT recebe salário até o quinto dia útil por lei. Hoje, 2 de dezembro, muitos médicos não receberam o salário de outubro e sequer o 13º.”
O deputado estadual Leandro de Jesus (PL), que também é âncora do programa Comunica Brasil, ressaltou que as denúncias já foram confirmadas em fiscalizações realizadas por seu gabinete.
“Recebemos denúncias do corpo clínico e já provamos que de fato é verdade — e não atinge só os médicos; enfermeiros, auxiliares, todos sofrem também. Não tem resposta. A Sesab faz questão de humilhar. Não sentam pra conversar. É o governo que está aí que é capaz de mentir.”
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