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Sem acordo com os EUA, Lula aposta em confronto com Trump e tenta capitalizar politicamente tarifa de 50%

Sem acordo com os EUA, Lula aposta em confronto com Trump e tenta capitalizar politicamente tarifa de 50%

Governo brasileiro ignora negociações diretas e recorre à OMC enquanto outros países fecham acordos bilaterais com os Estados Unidos

Por: Redação

29/07/2025 às 08:54

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já admite, nos bastidores, que não conseguirá evitar a entrada em vigor da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida, determinada pelo presidente americano Donald Trump, deve começar a valer nesta sexta-feira (1º), após semanas de tentativas frustradas do Itamaraty em abrir diálogo com a Casa Branca.

Diferente do que fizeram países como Japão, Reino Unido, Indonésia, Filipinas e membros da União Europeia — que enviaram representantes de alto escalão e conseguiram reduzir as tarifas —, o Brasil optou por não investir em negociações diretas e, em vez disso, adotou uma postura mais política e confrontadora.

Mesmo com o alerta de líderes empresariais e diplomatas experientes, Lula seguiu apostando no embate público com Trump. Em agenda em Minas Gerais, chegou a ironizar a situação com linguagem popular: "Se ele estiver trucando, ele vai tomar um seis", disse o presidente, sugerindo que reagirá à altura.

Nos bastidores, o Palácio do Planalto chegou a cogitar enviar uma missão oficial aos EUA, mas recuou por temer um constrangimento internacional caso a comitiva não fosse recebida por Trump. A avaliação foi que uma negativa poderia gerar desgaste ainda maior para a diplomacia brasileira.

Enquanto isso, interlocutores dos EUA apresentaram sinais de abertura para um acordo. Gabriel Escobar, encarregado de negócios da Embaixada americana no Brasil, procurou o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e demonstrou interesse dos EUA em firmar parcerias estratégicas envolvendo minerais críticos brasileiros. Lula, no entanto, ignorou o gesto e reagiu com discurso nacionalista: “Ninguém mexe nos minerais do Brasil”, afirmou.

A crise foi agravada por dois episódios recentes: a entrevista de Lula à CNN Internacional, na qual chamou Trump de “imperador do mundo”, e a operação da Polícia Federal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que resultou em medidas restritivas impostas por Alexandre de Moraes (STF). Fontes do governo admitem que os episódios contribuíram para inviabilizar qualquer avanço nas conversas com os EUA.

 

Brasil recorre à OMC em meio a impasse diplomático
Sem avanço nas tratativas, o Brasil optou por acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC). Durante reunião da entidade, o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, do Itamaraty, criticou o uso de tarifas como instrumento político e defendeu a busca por “soluções negociadas”.

Apesar da iniciativa contar com o apoio de cerca de 40 países, a OMC tem hoje sua capacidade de mediação comprometida, já que os EUA bloqueiam, desde 2019, a nomeação de novos árbitros — fator que paralisa o funcionamento do sistema de resolução de disputas comerciais.

Mesmo assim, o governo brasileiro vê o movimento na OMC como uma base para aplicar a Lei da Reciprocidade, que poderia permitir retaliações contra produtos norte-americanos. A ideia, contudo, não agrada ao setor produtivo. Empresários já alertaram o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, que qualquer represália pode desencadear uma guerra comercial, com impactos severos sobre a economia, a indústria e o agronegócio.

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