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Sem dados oficiais, Lula diz que “90% dos evangélicos ganham benefícios do governo”
Sem dados oficiais, Lula diz que “90% dos evangélicos ganham benefícios do governo”
Declaração em evento do PT é contestada por dados do IBGE
Por: Redação
08/02/2026 às 21:41

Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (7), durante discurso na cerimônia de comemoração dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), em Salvador, que “90% dos evangélicos ganham benefícios do governo”. A fala ocorreu enquanto o petista incentivava a militância a buscar diálogo com esse segmento do eleitorado.
Segundo o presidente, “90% dos evangélicos ganham benefícios do governo. Nós não podemos esperar que eles falem bem de nós. Nós precisamos ir para lá, conversar”.
A declaração, no entanto, não foi acompanhada de dados oficiais que sustentem o percentual apresentado.
De acordo com o Censo de 2022, o Brasil tem cerca de 47,4 milhões de evangélicos. A afirmação de Lula implicaria que aproximadamente 42,6 milhões desse grupo receberiam algum tipo de benefício estatal. Embora cerca de 94 milhões de brasileiros — aproximadamente 44% da população — recebam algum tipo de auxílio ou transferência do governo federal, não há recorte oficial por religião nos cadastros dos programas sociais. Cruzamentos de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o número de evangélicos de baixa renda estaria entre 26 e 32 milhões, abaixo do percentual citado pelo presidente.
A fala gerou reação imediata de lideranças políticas e religiosas. O vereador paulistano Rubinho Nunes (União Brasil) afirmou que a declaração reflete uma “velha tática” do partido, que consistiria em “transformar fé em alvo, pobreza em dependência e o Estado em cabo eleitoral”. Já o deputado estadual Delegado Zucco (Republicanos-RS) disse que o presidente “tenta rotular e desqualificar um grupo que já demonstrou, nas ruas e nas urnas, forte oposição ao seu projeto”.
Entre líderes religiosos, o pastor Franklin Ferreira classificou a fala como “reveladora e profundamente cínica”, ao reduzir evangélicos a beneficiários de políticas públicas. Para ele, a declaração revela uma “lógica de poder” incompatível com os valores cristãos. “O cristianismo nunca foi construído sobre benesses do Estado, mas sobre trabalho, família, igreja local e responsabilidade moral”, afirmou. O pastor concluiu: “Cristãos não são massa de manobra. E quando o Estado passa a tratar a fé como curral, acaba descobrindo que ainda existem ovelhas que reconhecem outro Pastor”.
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