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Sem união e sem reconstrução, governo Lula troca slogan e parte para o confronto com Congresso

Sem união e sem reconstrução, governo Lula troca slogan e parte para o confronto com Congresso

Abandono do mote “União e Reconstrução” expõe fracasso do governo em pacificar o país e escancara tentativa de transformar crise política em discurso eleitoral

Por: Redação

30/06/2025 às 12:20

O Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Foto: Ricardo Stuckert/Agência Brasil

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu enterrar o slogan “União e Reconstrução”, adotado com pompa em 2023, e abraçar uma nova linha de comunicação centrada na “justiça social”. A mudança, no entanto, é menos uma guinada estratégica e mais o reconhecimento explícito do fracasso político em construir consensos e cumprir promessas de campanha.

Desde o início do terceiro mandato, o governo prometia pacificar o país, reconstruir instituições e dialogar com todas as forças. O resultado até aqui? Uma gestão paralisada por disputas internas, derrotas sucessivas no Congresso e incapacidade de articulação política com sua própria base. O “esforço conjunto” virou um governo sitiado.

Ao trocar o slogan, o Planalto tenta reorganizar sua retórica, mas o gesto revela mais desespero do que clareza. Diante da rejeição do aumento do IOF, do bloqueio de emendas parlamentares e da baixa entrega de programas estratégicos — como apontou o TCU —, Lula abandona o discurso de pacificação e assume a retórica da divisão: ricos contra pobres, Congresso contra povo.

A propaganda recente do PT — que defende “rachar a conta do Brasil” — escancara esse novo caminho. Com a popularidade em queda e sem votos suficientes no Legislativo, o governo opta por buscar no embate com o Congresso um álibi para seus próprios tropeços. Ao invés de governar, quer disputar narrativas.

Internamente, a Secom reconhece que o slogan “União e Reconstrução” virou peça de museu: Sidônio Palmeira nunca gostou, e agora se admite que ele não representa mais nada. O problema, porém, não está apenas no marketing — mas na essência de um governo que prometeu muito e entregou pouco.

A nova estratégia pode agradar parte da militância, mas corre o risco de aprofundar o isolamento institucional do Planalto. Ao mirar no Congresso, o governo atinge também a governabilidade. Trocar slogan não resolve a paralisia — e só acentua a imagem de um Executivo que perdeu o rumo e agora tenta, pela comunicação, vencer na retórica o que perdeu na política.

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