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Senado impõe sigilo de 100 anos sobre visitas de lobista investigado no escândalo do INSS
Senado impõe sigilo de 100 anos sobre visitas de lobista investigado no escândalo do INSS
Apesar do interesse público, Casa barra acesso a registros de entrada do “Careca do INSS” e contraria orientação da CGU; nome de Alcolumbre é citado, e Weverton admite encontros
Por: Redação
25/07/2025 às 08:41

Foto: Reprodução
O Senado Federal decidiu impor 100 anos de sigilo aos registros de entrada do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, nas dependências da Casa. A negativa foi dada após solicitação via Lei de Acesso à Informação (LAI), sob a justificativa de que os dados seriam de “caráter pessoal”. A decisão vai na contramão da Controladoria-Geral da União (CGU), que considera as informações de interesse público, especialmente em casos que envolvem agentes investigados e suspeitas de corrupção.
Apesar do peso das acusações, o Senado se recusa a dar transparência mínima ao caso. O argumento da Casa se ampara na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o que, segundo especialistas ouvidos em outras ocasiões, não se sustenta diante da relevância pública das visitas a órgãos oficiais — especialmente quando há envolvimento de figuras centrais em escândalos bilionários.
Procurado, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não se manifestou sobre a decisão. Já o senador Weverton Rocha (PDT-MA) admitiu ter recebido o lobista em seu gabinete em ao menos três ocasiões. Weverton também tem laços com outros nomes citados no escândalo, como o ex-diretor do INSS André Fidélis, afastado do cargo em meio às investigações.
Na contramão do Senado, a Câmara dos Deputados respondeu à mesma solicitação e informou não haver registros de entrada de Careca desde janeiro de 2019.
Reunião fora da agenda com nº2 da Previdência
O lobista também foi recebido em 13 de março de 2023 por Adroaldo da Cunha Portal, atual secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, em reunião que sequer constava na agenda oficial. À época, Portal era chefe da Secretaria do Regime Geral da Previdência e afirmou que não conhecia o lobista — mas decidiu recebê-lo após um pedido de assessores. Curiosamente, Portal já foi chefe de gabinete de Weverton Rocha, o que reforça a teia de relações em torno do caso.
As investigações reveladas pelo portal Metrópoles escancararam um esquema de fraudes que teria movimentado ao menos R$ 2 bilhões em cobranças indevidas de mensalidades de aposentados e pensionistas. O caso gerou a Operação Sem Desconto da Polícia Federal, que resultou na queda do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT).
O próprio Careca do INSS teve carros de luxo como BMW e Porsche apreendidos em Brasília. A denúncia partiu da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que mantém escritório no mesmo prédio onde os veículos foram encontrados.
Apesar das evidências, o lobista já se prepara para voltar ao mercado: abriu uma nova empresa para atuar com crédito consignado, no mesmo endereço de suas firmas anteriores, também investigadas.
A tentativa do Senado de esconder informações essenciais à sociedade, sob o pretexto de sigilo pessoal, lança sombras sobre a disposição do poder público de combater a corrupção de fato. Em um país onde aposentados e pensionistas são explorados por esquemas escusos, o mínimo que se espera é transparência total sobre quem frequenta os corredores do poder.
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