STF inicia julgamento do chamado “núcleo 2”
Corte analisará acusações que tratam ex-assessores e ex-integrantes do governo Bolsonaro como parte de um plano coordenado — narrativa vista pela oposição como exagerada e usada politicamente
Por: Redação
09/12/2025 às 07:56
● Atualizado em 09/12/2025 às 08:08

Foto: Rosinei Coutinho/STF
O STF começa nesta terça-feira (9) o julgamento dos acusados de integrar o chamado núcleo 2 da suposta tentativa de golpe relacionada aos eventos pós-eleição de 2022. Segundo a PGR, o grupo teria ocupado funções estratégicas no governo Bolsonaro e atuado para mantê-lo no poder após a derrota eleitoral.
A Procuradoria sustenta que os réus colaboraram na elaboração da chamada “minuta do golpe”, no planejamento de ações de pressão institucional e em iniciativas que, segundo a narrativa acusatória, teriam buscado interferir no processo eleitoral. Trata-se da mesma versão que, para parlamentares da direita e para as defesas, superdimensiona atos administrativos, interpretações jurídicas e rotinas de inteligência, transformando divergências políticas em crimes de Estado.
A denúncia foi recebida pela 1ª Turma em abril de 2025, apesar de críticas sobre a falta de contraditório pleno e da dependência excessiva da delação de Mauro Cid — ponto que tem sido contestado por diversas defesas.
Quem são os acusados segundo a PGR
A PGR atribui cinco crimes aos seis réus:
- organização criminosa armada,
- tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito,
- tentativa de golpe de Estado,
- dano qualificado ao patrimônio da União
- e deterioração de patrimônio tombado.
Segundo a acusação — que ainda será confrontada no julgamento — cada um teria participado de maneira diferente:
Fernando de Sousa Oliveira (delegado da PF)
- Acusado de usar ferramentas de BI para mapear redutos eleitorais de Lula e direcionar operações policiais, além de omissão em alertas sobre os atos de 8 de janeiro quando já atuava no DF.
Filipe Martins (ex-assessor especial da Presidência)
- Apontado pela PGR como o responsável por apresentar a “minuta do golpe” a Bolsonaro. A defesa, porém, afirma possuir prova de que Mauro Cid é o verdadeiro autor do documento e que Martins foi usado como bode expiatório — tese que ganhou força com novos arquivos encontrados no celular do militar.
Marcelo Câmara (coronel da reserva e ex-assessor da Presidência)
- Acusado de monitorar Alexandre de Moraes e aproximar o hacker Walter Delgatti do Ministério da Defesa para auditorias no sistema eleitoral.
Marília Alencar (delegada; ex-diretora de Inteligência da PF)
- Apontada por supostamente coordenar, junto a Fernando e Silvinei, ações de inteligência para “dificultar o fluxo” de eleitores no Nordeste. A defesa afirma que operações da PRF no período foram rotineiras e divulgadas à imprensa, sem qualquer ação impeditiva comprovada.
Mário Fernandes (general da reserva)
- Acusado de ter redigido um suposto plano chamado “Punhal Verde e Amarelo”, com monitoramento e neutralização de autoridades. A defesa alega que o documento jamais saiu do campo especulativo e foi descontextualizado pela acusação.
Silvinei Vasques (ex-diretor da PRF)
- Apontado como responsável por ordenar operações no Nordeste para prejudicar eleitores de Lula — narrativa contestada por depoimentos e registros que indicam fiscalizações regulares e sem impacto na votação.
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