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STF retoma julgamento sobre quebra de sigilo em buscas do Google

STF retoma julgamento sobre quebra de sigilo em buscas do Google

Ministros divergem sobre limites da chamada “busca reversa”, que pode atingir usuários sem relação direta com crimes

Por: Redação

25/09/2025 às 08:15

Gilmar Mendes e Nunes Marques inauguraram uma "terceira via" e defenderam a quebra de sigilo do Google apenas em caso de crime hediondo

Foto: Jose Cruz/Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quarta-feira (24) o julgamento que vai definir os limites para a quebra de sigilo de buscas realizadas no Google por usuários indeterminados. O caso tem repercussão geral, ou seja, servirá de referência para decisões futuras em todo o Judiciário.

A discussão gira em torno do recurso apresentado pelo Google contra decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que autorizou a Polícia Civil a obter dados de pessoas que, entre os dias 10 e 14 de março de 2018, pesquisaram termos relacionados à vereadora Marielle Franco. A empresa se recusou a fornecer todas as informações solicitadas e levou a disputa ao STF.

Na sessão desta quarta, Gilmar Mendes e Nunes Marques defenderam a constitucionalidade da chamada busca reversa, mas apenas em casos de crimes hediondos. Para Gilmar, a medida precisa ter critérios estritos: indícios concretos do crime, utilidade da informação para a investigação e limite temporal definido. “A limitação é essencial para que o menor número de pessoas sem ligação com o crime sofra essa restrição”, afirmou.

Nunes Marques adotou posição semelhante. Ele destacou que dados de navegação já são explorados para fins comerciais e publicitários, e que a busca reversa só deve ocorrer em caráter subsidiário, com recortes temáticos e temporais. “A busca pelo suspeito é um interesse legítimo que justifica o tratamento dos dados, desde que em casos extremos e graves”, disse.

O julgamento já registra forte divisão. A ex-ministra Rosa Weber e André Mendonça se posicionaram contra a quebra de sigilo de pessoas indeterminadas, alertando para riscos de violação à privacidade e “pesca probatória”. Já Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin votaram a favor da ampliação, permitindo que, mediante ordem judicial, dados de buscas específicas sejam entregues à polícia ou ao Ministério Público.

O julgamento será retomado nesta quinta-feira (25). Ainda faltam votar os ministros Edson Fachin, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Luiz Fux. Flávio Dino não participa porque herdou a cadeira de Rosa Weber, cujo voto segue válido. O presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, declarou-se impedido.

A decisão do Supremo pode abrir um precedente histórico: de um lado, a possibilidade de ampliar instrumentos de investigação; de outro, o risco de expor dados de milhões de usuários sem vínculo direto com crimes.

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