Tarifa de 50% dos EUA contra Brasil entra em vigor nesta quarta (6)
Trump justifica medida com base em “ameaça à democracia” e aponta perseguição a Bolsonaro como fator de risco
Por: Redação
06/08/2025 às 08:07

Foto: Divulgação
Entraram em vigor nesta quarta-feira (6) as novas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros. A medida, anunciada pelo presidente Donald Trump, estabelece uma alíquota de 50% sobre parte das exportações do Brasil, dentro do que a Casa Branca classificou como uma resposta a "ameaças à segurança nacional" e à "erosão do Estado de Direito" no país sul-americano.
A decisão foi oficializada em 30 de julho, por meio de uma ordem executiva que aponta diretamente para o atual governo brasileiro. No documento, o Brasil é acusado de promover perseguições e processos políticos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados, o que, segundo os americanos, comprometeria os direitos fundamentais e os princípios democráticos.
A nova tarifação representa um acréscimo de 40 pontos percentuais sobre os atuais 10% já cobrados, atingindo especialmente setores como o de carnes, frutas e café — produtos de forte presença no mercado norte-americano. O Brasil foi o país mais impactado no pacote de ajustes promovido por Trump junto a parceiros comerciais estratégicos.
Medida legal e emergencial
A ação dos EUA está amparada na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, de 1977, e inclui a declaração de uma nova emergência nacional voltada especificamente ao Brasil. Com isso, além das tarifas, o país poderá ser alvo de outras restrições comerciais e diplomáticas caso o cenário não mude.
Produtos como suco de laranja, minérios de ferro, peças aeronáuticas e combustíveis foram poupados da taxação, o que, segundo analistas, demonstra preocupação dos EUA com setores estratégicos — especialmente aqueles em que a dependência externa é maior.
Segundo a Casa Branca, cerca de 700 produtos brasileiros foram excluídos da medida. Ainda assim, um percentual significativo continua sujeito à tarifa plena, o que acendeu alerta entre empresários e exportadores nacionais.
Governo Lula tenta resposta
Em meio às críticas de interferência política nas instituições e crescente desgaste com governos estrangeiros, o Palácio do Planalto montou uma força-tarefa para lidar com o impacto do chamado “tarifaço de Trump”. O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou que aproximadamente 65% das exportações afetadas já possuem algum tipo de proteção ou isenção parcial, mas reconheceu que os 35% restantes representam um desafio.
Entre as ações estudadas pelo governo brasileiro estão linhas de crédito emergenciais, incentivo a compras públicas de produtos que perderam mercado nos EUA e reativação de programas como o Seguro-Emprego, nos moldes do que foi adotado durante a pandemia.
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, também mencionou possíveis subsídios, prazos estendidos para pagamento de dívidas e envolvimento de bancos públicos como o BNDES e Banco do Brasil. No entanto, a eficácia dessas medidas ainda depende da evolução das negociações com o governo norte-americano.
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