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TJPE anula ações sobre milhas por fraude na distribuição de processos

TJPE anula ações sobre milhas por fraude na distribuição de processos

Desembargador identificou manobra para direcionar recursos ao mesmo gabinete e suspendeu benefícios obtidos por grupo de milheiros

Por: Redação

30/07/2025 às 08:58

Atualizado em 30/07/2025 às 09:01

Imagem de TJPE anula ações sobre milhas por fraude na distribuição de processos

Foto: Divulgação/GOL

O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) identificou irregularidades na tramitação de ações judiciais que buscavam liberar a comercialização de milhas aéreas. A decisão, proferida pelo desembargador Bartolomeu Bueno de Freitas Morais, aponta que um dos escritórios de advocacia envolvidos manipulava o sistema de distribuição dos processos para garantir que todos caíssem sob sua relatoria.

A fraude foi descoberta em um processo movido por 154 pessoas contra as principais companhias aéreas do país — Azul, Latam e Gol —, com o objetivo de suspender regras que proíbem a venda de pontos dos programas de fidelidade. Essas normas são estabelecidas nos contratos de adesão dos programas e exigem aceitação prévia por parte dos clientes.

Inicialmente, os autores da ação obtiveram uma decisão favorável que impedia as empresas de aplicar essas restrições. No entanto, o TJPE reverteu a medida ao constatar irregularidades na condução dos processos. As companhias aéreas apontaram que ao menos oito ações semelhantes haviam sido propostas no Estado, algumas pelo mesmo advogado, totalizando 627 autores — muitos dos quais não teriam sequer cadastro ativo nos programas ou residência em Pernambuco.

Segundo o desembargador, o escritório recorria a um artifício para direcionar os casos ao seu gabinete, indicando um processo de referência sem conexão com as causas em análise. Isso violaria o princípio do juiz natural, que garante a imparcialidade e aleatoriedade na distribuição dos processos.

“O padrão é cristalino: valendo-se da automaticidade do sistema processual, a parte primeiro criou artificialmente uma prevenção com processo sem qualquer conexão e, na sequência, utilizou esta primeira distribuição como fundamento para direcionar os demais recursos ao mesmo gabinete”, afirmou o magistrado.

Com base nessa constatação, o TJPE anulou o processo principal e suspendeu a distribuição de pelo menos outros cinco casos semelhantes. A decisão foi encaminhada à Corregedoria-Geral de Justiça para investigação das condutas envolvidas e eventual adoção de medidas preventivas.

Advogados do escritório podem responder a procedimentos disciplinares e criminais. Caso fique comprovado que os autores das ações tinham ciência da manobra, poderão ser penalizados por litigância de má-fé, incluindo pagamento de custas, indenizações e honorários às empresas acionadas.

Em decisão anterior, o mesmo desembargador havia determinado a suspensão das regras contrárias à venda de milhas, entendendo que os pontos acumulados se assemelhavam a moeda e deveriam ser regulados pela ordem econômica. Após a constatação das fraudes, a medida foi revogada. Até a publicação desta reportagem, a defesa dos autores não se manifestou.

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