Toffoli recua e envia à PGR materiais apreendidos no Caso Master
Por: Redação
14/01/2026 às 19:54

Foto: Caroline Antones / Agência Brasil
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), mudou o entendimento adotado anteriormente e determinou que os materiais apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, sejam encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR) para extração e análise.
Inicialmente, o magistrado havia ordenado que documentos, aparelhos eletrônicos e demais itens recolhidos pela Polícia Federal permanecessem lacrados e sob custódia do próprio STF, sem acesso imediato dos investigadores. A decisão provocou questionamentos dentro da corporação por restringir o exame das provas.
No novo despacho, publicado na noite desta quarta-feira, Toffoli autorizou que a PGR tenha acesso ao acervo probatório, determinando que os equipamentos sejam mantidos carregados e desconectados de redes telefônicas e de internet, como forma de preservar a integridade dos dados até a perícia.
A Operação Compliance Zero cumpriu 42 medidas judiciais, tendo como alvos, entre outros, o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos. Também foi decretada a prisão temporária do investidor Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro.
Além das buscas, a Justiça autorizou bloqueio e sequestro de bens que, segundo estimativas, ultrapassam R$ 5,7 bilhões. Entre os itens apreendidos estão veículos de luxo, relógios de alto valor, armas e quantias em dinheiro.
A decisão inicial de concentrar o material no STF foi considerada incomum por especialistas, já que tradicionalmente a análise técnica fica a cargo da Polícia Federal e do Ministério Público. Com o recuo, a expectativa é que o exame das evidências avance com maior celeridade.
O processo permanece sob sigilo, e as autoridades não detalharam o teor dos documentos já recolhidos. O episódio, contudo, reacendeu o debate sobre os limites de atuação do Supremo em investigações criminais e sobre o compartilhamento de provas em casos de grande repercussão nacional.
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