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Vice-presidente da CNBB compara condenação de Bolsonaro à impunidade nos Estados Unidos
Vice-presidente da CNBB compara condenação de Bolsonaro à impunidade nos Estados Unidos
D. Paulo Jackson compara processo brasileiro à invasão do Capitólio nos EUA e critica tarifas americanas sobre produtos nacionais
Por: Redação
12/09/2025 às 10:50

Foto: Reprodução/YouTube
O vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), D. Paulo Jackson, afirmou nesta sexta-feira (12) que a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por suposta tentativa de golpe de Estado evidencia o fortalecimento das instituições brasileiras.
Segundo ele, o episódio é diferente do ocorrido nos Estados Unidos em 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores do então presidente Donald Trump ocuparam o Capitólio durante a certificação da vitória de Joe Biden, sem que houvesse julgamento criminal dos envolvidos.
“Aconteceu praticamente a mesma coisa [nos Estados Unidos] e não houve julgamento nenhum”, declarou o arcebispo ao final do XVI Encontro de Bispos dos Países Lusófonos, em Lisboa.
D. Paulo Jackson destacou que, mesmo diante da crise institucional, o julgamento do “núcleo central da tentativa de golpe militar” em Brasília reforça as instituições.
“A impressão que tenho é que as instituições saem reforçadas, bastante reforçadas desse processo. A tentativa de golpe foi frustrada, mas, infelizmente, houve atentados não somente contra o Supremo Tribunal Federal, mas também contra o Poder Executivo e contra o Poder Legislativo”, afirmou.
O religioso ressaltou que o fortalecimento das instituições e a defesa do Estado democrático de Direito são essenciais, e que a Igreja Católica tem atuado para apoiar esse processo no Brasil e em outros países lusófonos.
O vice-presidente da CNBB criticou as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros desde 6 de agosto, classificando-as como “não razoáveis” e “completamente não explicadas”.
Além disso, D. Paulo Jackson reconheceu o alto nível de polarização política no país e destacou o papel da Igreja em mitigar seus efeitos. “A Igreja Católica, por meio da Conferência Episcopal – e nós bispos, em particular, em cada uma das nossas igrejas particulares – tem feito um trabalho gigantesco para tentar mitigar ou minimizar as consequências desses processos de polarização existentes”, declarou.
O arcebispo reforçou a necessidade de um processo de reconciliação e pacificação, respeitando a legislação, o Estado democrático de Direito e o nível espiritual das comunidades:
“O processo de pacificação não prescinde do respeito pela lei, mas é um processo no nível espiritual que deve envolver profundamente as nossas comunidades.”
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