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Violência armada dispara em Salvador e Região Metropolitana: mais de 5 mil tiroteios em três anos

Violência armada dispara em Salvador e Região Metropolitana: mais de 5 mil tiroteios em três anos

Impacto da violência letal é devastador, atingindo especialmente jovens, negros e comunidade escolar

Por: Redação

03/07/2025 às 20:19

Imagem de Violência armada dispara em Salvador e Região Metropolitana: mais de 5 mil tiroteios em três anos

Foto: Arisson Marinho/ Arquivo CORREIO

Um estudo realizado pelo Instituto Fogo Cruzado revela um cenário alarmante de violência armada em Salvador e sua Região Metropolitana (RMS). Desde 2022, foram registrados 5 mil tiroteios — uma média superior a quatro confrontos diários — que resultaram em ao menos 3.839 mortes e quase 1.000 feridos.

Em 2024, especificamente, foram contabilizados 1.795 episódios de tiros, com uma média de cinco tiroteios por dia, deixando 1.725 pessoas baleadas (1.380 morreram e 345 ficaram feridas). Salvador concentrou 74% dos tiroteios, 69% dos óbitos e 81% dos feridos na região.

A violência atingiu com força escolas e comunidades vulneráveis. Em 2024, 20% dos confrontos ocorreram no entorno de instituições de ensino: 327 escolas foram afetadas, resultando em 349 baleados nesse perímetro. Crianças e adolescentes foram as maiores vítimas: no ano passado, 10 crianças e 53 adolescentes foram feridos, e 44 adolescentes morreram . Maio de 2025 registrou o maior número mensal para essa faixa etária desde o início dos relatórios.

A participação da polícia nas ocorrências também é preocupante. Em 2024, 38% dos tiroteios aconteceram durante ações policiais, causando 681 confrontos e deixando 630 vítimas. Além disso, houve 27 chacinas que resultaram em 92 mortes — 59% delas durante operações policiais.

Bairros da periferia são os mais afetados. Pernambués, Fazenda Grande do Retiro, Beiru/Tancredo Neves, Lobato e Valéria concentraram o maior volume de tiroteios, com alta proporção de população negra, reforçando a dimensão racial da violência.

Especialistas enfatizam a urgência de políticas públicas eficazes com foco em prevenção, inteligência e controle de armas. A diretora-executiva do Fogo Cruzado, Cecilia Olliveira, alerta que a flexibilização do uso de armas combinada com abordagens focadas no confronto contribui para o ciclo perpetuado de violência.

Em síntese, os números expõem uma crise urbana grave: confrontos quase diários, impactos em crianças e escolaridade, elevada taxa de letalidade, predominância de ações policiais e concentração geográfica nas periferias. O quadro estabelece um alerta urgente para autoridades e sociedade civil, que devem buscar respostas rápidas e integradas para proteger vidas e restaurar a segurança nas ruas soteropolitanas.

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