Mensagens atribuídas a lobista citam viagens pela FAB e encontros com Lula
Por: Redação
21/09/2026 às 10:50

Foto: Reprodução
Mensagens de WhatsApp atribuídas à lobista Roberta Luchsinger mencionam viagens em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), entradas no Palácio do Planalto e supostos encontros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O conteúdo foi revelado em reportagens publicadas pela imprensa neste domingo (21).
Em uma conversa com a mãe, datada de 24 de março de 2023, Roberta afirmou ter viajado a Brasília no que chamou de “aero Lula”. Ao ser questionada se a expressão fazia referência ao avião presidencial, respondeu que se tratava do “avião do Lula”.
Registros obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação apontam que a lobista entrou no Palácio do Planalto dois dias antes da mensagem, às 15h37. Ela também teria enviado à mãe uma fotografia feita no local. Os documentos confirmam a entrada no prédio, mas não demonstram, isoladamente, que tenha ocorrido uma reunião com o presidente.
Em novembro do mesmo ano, Roberta teria informado a uma assessora do governo da Bahia que viajaria em uma aeronave da FAB ao lado de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Segundo o relato, o embarque ocorreria em uma base aérea, sem passagem pelo terminal destinado aos voos comerciais.
Outra mensagem, de fevereiro de 2024, indica que a lobista estaria retornando em avião da FAB após uma reunião relacionada à Organização das Nações Unidas. A viagem da Europa ao Brasil, contudo, teria sido realizada em voo comercial da companhia TAP.
Referências ao presidente
Entre 2023 e 2025, Roberta teria usado a expressão “pai do Fábio” para se referir a Lula. Em uma das conversas, afirmou estar na “sala do pai do Fábio”. Em outra, disse permanecer na casa dele.
As mensagens também mostram que a lobista associou a antecipação de uma viagem a Brasília ao acidente doméstico sofrido pelo presidente em outubro de 2024. O conjunto das conversas sugere que ela alegava possuir proximidade com Lula e integrantes de sua família, mas não comprova, por si só, que os encontros mencionados tenham efetivamente ocorrido.
Questionado anteriormente sobre Roberta Luchsinger, Lula negou categoricamente conhecê-la. Durante uma sabatina realizada em agosto, o presidente declarou que nunca havia visto ou conversado com a lobista e que ela jamais estivera próxima dele. Na ocasião, Lula também a classificou como “pilantra”.
Investigações no STF
Roberta Luchsinger, Lulinha e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, aparecem em investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Um dos inquéritos apura suspeitas de tráfico de influência no Ministério da Saúde relacionadas à comercialização de medicamentos derivados da cannabis, como o canabidiol.
Segundo as informações divulgadas, Roberta apresentava Lulinha como seu sócio em conversas com terceiros, embora não existam registros de empresas formalmente constituídas pelos dois. O filho do presidente também teria mantido atividades relacionadas à Cannabis World, empresa de medicamentos à base de cannabis ligada a Antunes.
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