Brasil registra pior primeiro semestre para geração de empregos desde 2020
Dados do Caged apontam queda de 25% na criação de vagas formais em relação ao mesmo período do ano passado, apesar de alta no estoque de trabalhadores com carteira assinada
Por: Redação
30/07/2026 às 07:34

Foto: Reprodução
O Brasil encerrou o primeiro semestre de 2026 com o menor saldo de geração de empregos formais para o período desde 2020. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego mostram que o país criou 921.640 vagas com carteira assinada entre janeiro e junho, número 25% inferior ao registrado nos seis primeiros meses de 2025, quando foram abertas 1,23 milhão de vagas.
O resultado representa o desempenho mais fraco para um primeiro semestre desde o início da pandemia de covid-19. Em 2020, o mercado de trabalho havia registrado fechamento de mais de 1 milhão de postos formais.
Apesar da desaceleração na criação de empregos, o estoque de trabalhadores com carteira assinada continuou em crescimento. Ao fim de junho, o Brasil contabilizava 48,03 milhões de vínculos formais, acima dos 47,88 milhões registrados em maio e dos 47,07 milhões verificados no mesmo mês do ano anterior. O governo ressalta que comparações históricas também são influenciadas por mudanças na metodologia do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Somente em junho, o saldo foi de 145.160 vagas formais, resultado da diferença entre 2,22 milhões de admissões e 2,07 milhões de desligamentos. O número representa queda de 10,4% em comparação com junho de 2025 e também é o pior desempenho para o mês desde 2020.
Na avaliação do Ministério do Trabalho e Emprego, a desaceleração ocorre em um cenário de juros elevados e incertezas no comércio internacional. O ministro Luiz Marinho atribuiu parte do desempenho à política monetária e ao ambiente externo. Embora o Banco Central tenha reduzido a taxa Selic nas três últimas reuniões, os juros permanecem em 14,25% ao ano. Segundo a autoridade monetária, a manutenção de taxas elevadas faz parte da estratégia para conter a inflação, enquanto o mercado de trabalho começa a refletir um ritmo mais moderado da atividade econômica.
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