Endividamento das famílias atinge recorde histórico de 82%, aponta CNC
Pesquisa mostra aumento do número de brasileiros com dívidas, enquanto comprometimento da renda cresce mesmo com leve recuo da inadimplência
Por: Redação
06/08/2026 às 15:54

Foto: Reprodução
O endividamento das famílias brasileiras alcançou o maior nível da série histórica iniciada em 2010. Segundo levantamento divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 82% das famílias tinham algum tipo de dívida em julho, alta de 0,4 ponto percentual em relação ao mês anterior, quando o índice era de 81,6%. O resultado também supera os 78,5% registrados no mesmo período de 2025.
O indicador considera famílias com compromissos financeiros como cartão de crédito, cheque especial, carnês, crédito consignado, empréstimos pessoais e financiamentos de veículos e imóveis. Apesar da alta no endividamento, a parcela de famílias que se considera muito endividada recuou levemente de 17,2% para 17,1%, enquanto o grupo que se classifica como pouco endividado aumentou de 34,2% para 35%.
A pesquisa também apontou uma pequena redução da inadimplência. O percentual de famílias com contas em atraso caiu de 29,9% para 29,8%, e o tempo médio de atraso recuou para 64,6 dias, o menor patamar desde dezembro de 2025. Além disso, a parcela de consumidores com dívidas vencidas há mais de 90 dias diminuiu para 48,5%.
Mesmo com esse recuo, o comprometimento da renda continuou aumentando. Segundo a CNC, 19% dos consumidores destinam mais da metade da renda mensal ao pagamento de dívidas, maior índice desde março. Em média, as famílias endividadas utilizam 29,5% dos rendimentos para quitar compromissos financeiros.
Os dados mostram que o impacto é maior entre as famílias de menor renda. Entre aqueles que recebem até três salários mínimos, 84,9% estão endividados, 38,5% possuem contas em atraso e 17,8% afirmam não ter condições de pagar as dívidas. Já entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, 72% estão endividadas, 15,1% têm pagamentos em atraso e 5,2% declaram não conseguir quitar os débitos.
Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, a recente redução da taxa Selic pode contribuir para facilitar a renegociação de dívidas e reduzir o custo das novas operações de crédito. O presidente da entidade, José Roberto Tadros, afirmou que os números reforçam a necessidade de medidas voltadas ao alívio do orçamento das famílias brasileiras.
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