Bolívia elege Rodrigo Paz e encerra 20 anos de hegemonia da esquerda
Vitória sinaliza mudança histórica no país e promessa de relação pragmática com Brasil e EUA
Por: Redação
19/10/2025 às 21:37
● Atualizado em 20/10/2025 às 06:59

Foto: AIZAR RALDES / AFP
A Bolívia viveu neste domingo (19) um marco histórico em sua política. Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão, foi eleito presidente no segundo turno das eleições — o primeiro da história do país — com 54,5% dos votos válidos e 91,2% das urnas apuradas. A vitória encerra 20 anos de governos ligados à esquerda e representa uma guinada ao centro-direita na política boliviana.
Paz derrotou o ex-presidente Jorge Quiroga, também de direita, e conquistou o eleitorado frustrado com o modelo socialista que dominou o país nas últimas décadas. Filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora, o novo mandatário defendeu ao longo da campanha uma agenda moderada, voltada para estabilidade institucional, recuperação econômica e maior integração internacional.
“Queremos soluções rápidas e eficientes para a crise econômica que atinge nosso povo”, afirmou o vice-presidente eleito Edman Lara após a vitória, em declaração feita na porta de casa, ao lado de Paz.
Propostas do novo governo boliviano
Segurança Pública
Rodrigo Paz prometeu “fortalecer as instituições” e profissionalizar as Forças Armadas, com uso de tecnologias avançadas no combate ao crime organizado. “A justiça é a base para o progresso de qualquer país. Precisamos de instituições fortes e independentes que assegurem a lei para todos”, afirmou durante a campanha.
Economia
Com o programa batizado de “capitalismo para todos”, Paz defende o fortalecimento da iniciativa privada sem abrir mão de políticas sociais básicas. Sua meta é incentivar a formalização da economia, cortar gastos supérfluos e descentralizar o Estado.
“A Bolívia não é socialista. A Bolívia trabalha com capital, com dinheiro”, declarou, em aceno a uma ampla base de eleitores cansados do modelo estatizante.
Economistas destacam que o novo governo enfrentará desafios fiscais, mas reconhecem que a guinada pró-mercado pode atrair investimentos e recuperar a confiança no país.
Relações internacionais
Mesmo com posições divergentes, Paz afirmou que pretende manter e fortalecer os laços com o Brasil — “principal parceiro estratégico” da Bolívia — e continuar participando do Mercosul e do BRICS. Também indicou que sua relação com os Estados Unidos será “pragmática”, evitando alinhamentos ideológicos.
“Ideologias não colocam comida na mesa”, declarou.
Derrota histórica da esquerda
Fora da disputa, o ex-presidente Evo Morales pediu voto nulo e criticou os dois candidatos. Sua postura, entretanto, não impediu a vitória de Paz — que simboliza, para muitos analistas, uma nova etapa política no país, com foco em estabilidade institucional, economia liberal moderada e aproximação estratégica com parceiros regionais e globais.
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