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Confronto entre facções paralisa cidades do Recôncavo e escancara avanço do crime organizado na Bahia
Confronto entre facções paralisa cidades do Recôncavo e escancara avanço do crime organizado na Bahia
Moradores vivem clima de pânico após madrugada de tiroteios entre o Comando Vermelho e o Bonde do Maluco; prefeitura suspende aulas e serviços públicos
Por: Redação
12/11/2025 às 07:40

Foto: Reprodução
As ruas do Recôncavo Baiano, antes conhecidas pela tranquilidade e vida pacata, se transformaram em cenário de guerra nesta terça-feira (11). Uma intensa troca de tiros entre integrantes do Comando Vermelho (CV) e do Bonde do Maluco (BDM) provocou pânico nas cidades de São Félix, Cachoeira e Muritiba, na região da Ponte da Pedra do Cavalo, onde o confronto se concentrou.
A Prefeitura de Muritiba chegou a emitir um comunicado orientando moradores a permanecerem em casa, enquanto escolas, postos de saúde e repartições públicas foram temporariamente fechados. Em nota, a gestão municipal afirmou que “a situação está sob controle”, mas pediu “prudência até que o cenário esteja totalmente normalizado”.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), o Batalhão de Choque da Polícia Militar foi acionado para reforçar o policiamento na região, inclusive em áreas de mata fechada. No início da noite, a polícia interceptou seis suspeitos — cinco foram presos e um ficou ferido. Com eles, foram apreendidas pistolas, carregadores, munições e drogas.
Medo e insegurança se espalham
O clima de terror alterou a rotina de cidades que antes eram símbolo da cultura e da história baiana. “A sensação de medo toma conta da cidade. Eu estou muito triste com o que está acontecendo com São Félix. Apesar do que é noticiado, a situação é pior”, desabafou um morador, sob anonimato.
O escritor Edgard Abbehusen, natural de Muritiba, também relatou preocupação: “Liguei para minha mãe pedindo que ficasse em casa. Muritiba sempre foi uma cidade de gente de bem, mas ninguém está imune a essa onda de violência. A verdade é que a guerra contra o crime foi perdida, e quem sofre é o cidadão comum.”
Facções avançam e governo falha no controle
Nos últimos meses, a violência no Recôncavo tem se intensificado. Em outubro, uma operação policial destruiu dois acampamentos usados por facções e apreendeu coletes, roupas camufladas, celulares e maconha pronta para venda. Na ocasião, moradores denunciaram toques de recolher e restrições impostas por criminosos entre São Félix e Cachoeira, ligadas pela histórica Ponte Dom Pedro II.
Especialistas apontam que o avanço do crime no interior reflete falhas na política de segurança estadual e a expansão das redes do tráfico. “O que acontece no Recôncavo é reflexo de uma grave crise nacional e de uma política ineficaz de combate ao crime. O Estado falha tanto em garantir a lei quanto em oferecer alternativas para a população”, afirma Osmundo Pinho, cientista social da UFRB.
Para Luiz Cláudio Lourenço, pesquisador da UFBA, a interiorização da violência segue a expansão econômica e urbana do estado. “Regiões antes pacíficas, como Itaparica e agora o Recôncavo, se tornaram alvo das dinâmicas do crime organizado. A falta de controle e a impunidade agravam o problema.”
Policiamento reforçado e tráfego afetado
A Polícia Militar informou que está executando um protocolo de reforço contra o crime organizado, com o apoio da Polícia Civil e da Polícia Rodoviária Federal. Apesar da tensão, a PRF afirmou que o tráfego na BR-101 foi pouco afetado.
Ainda assim, a sensação predominante nas ruas é de abandono e insegurança. O aumento da presença de facções no interior — inclusive com armas de grosso calibre e táticas de invasão — acende o alerta sobre o colapso da segurança pública na Bahia, que já lidera o ranking nacional de homicídios.
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