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Fechamento de agências no interior da Bahia gera demissões em massa e expõe precarização no setor bancário
Fechamento de agências no interior da Bahia gera demissões em massa e expõe precarização no setor bancário
Levantamento do Sindicato dos Bancários mostra que 1.651 trabalhadores foram desligados desde 2020; Bradesco lidera cortes após aposta em digitalização
Por: Redação
26/06/2025 às 10:27

Foto: Reprodução
A modernização prometida por grandes bancos tem cobrado um preço alto para trabalhadores do setor financeiro na Bahia. Entre janeiro de 2020 e junho de 2025, ao menos 1.651 bancários foram demitidos no estado, em um movimento diretamente ligado ao fechamento acelerado de agências bancárias, especialmente no interior. Os dados são de um levantamento exclusivo do Sindicato dos Bancários da Bahia, solicitado pela jornalista Maysa Polcri, do site Correio.
Na linha de frente das demissões está o Bradesco, responsável por 706 desligamentos no estado no período. Coincidentemente ou não, o banco é o que mais tem fechado agências físicas: só entre outubro de 2023 e março de 2025, 36 cidades baianas perderam unidades do Bradesco — um reflexo direto do plano de “reestruturação e modernização” iniciado pela instituição nos últimos anos.
Embora o banco afirme que 98% das transações hoje já sejam feitas por canais digitais, o encerramento de pontos de atendimento presenciais tem provocado não só o esvaziamento de serviços em regiões inteiras, mas também uma forte redução de postos de trabalho, especialmente entre funcionários de carreira.
Realocação só no papel
Ronaldo Ornelas, diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia, denuncia que a alegada realocação de funcionários para outras unidades raramente se concretiza de forma efetiva. “O discurso dos bancos é que os trabalhadores seriam aproveitados em outras agências. Mas quando temos dois gerentes, dois supervisores e uma equipe já reduzida, a realocação vira fantasia. O que acontece, na prática, são demissões”, afirma.
Ornelas explica que os planos de reestruturação adotados pelos bancos têm como principal objetivo a redução de custos com pessoal, consequência direta da aposta nas plataformas digitais.
Interior ainda depende do atendimento presencial
Apesar do avanço dos canais digitais, moradores de áreas rurais e cidades de menor porte na Bahia continuam dependendo do atendimento presencial — tanto para operações básicas quanto para resolução de problemas que não podem ser solucionados por aplicativos. O fechamento de agências, portanto, impacta duplamente: afeta o acesso da população a serviços bancários e aprofunda o desemprego em regiões já fragilizadas economicamente.
A tendência é que mais unidades sigam sendo encerradas, enquanto sindicatos e entidades trabalhistas alertam para a crescente desumanização do setor e para o risco de exclusão bancária de comunidades inteiras.
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