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Investigação aponta que advogados levavam ordens de facções para fora de presídio na Bahia
Investigação aponta que advogados levavam ordens de facções para fora de presídio na Bahia
Gravações autorizadas pela Justiça mostram profissionais investigados recebendo instruções de líderes criminosos sobre tráfico, armas, homicídios e movimentação financeira
Por: Redação
06/07/2026 às 09:35

Foto: Reprodução
Vídeos obtidos durante uma investigação conduzida pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) mostram advogados investigados por suposta ligação com facções criminosas recebendo orientações de detentos custodiados no Presídio Estadual de Segurança Máxima de Serrinha, na Bahia. As imagens foram produzidas com autorização judicial entre setembro de 2025 e janeiro de 2026.
Segundo a investigação, os profissionais participavam de encontros com lideranças criminosas presas e recebiam instruções relacionadas ao tráfico de drogas, aquisição de armamentos, homicídios, sequestros e administração financeira das organizações criminosas.
As gravações integram a apuração que resultou, na última sexta-feira (3), na prisão de dez advogados durante uma operação realizada pelo Ministério Público da Bahia, com apoio da Polícia Civil e da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap). Além dos advogados, também foram cumpridos mandados judiciais contra 12 detentos apontados como integrantes de facções criminosas.
Bilhetes eram retirados do presídio escondidos nas roupas
De acordo com os investigadores, os advogados recebiam bilhetes contendo determinações das lideranças criminosas e escondiam os documentos sob as roupas íntimas para retirá-los do presídio sem chamar atenção da fiscalização. As imagens também registram conversas sobre compra e venda de armas, contabilidade do tráfico, planejamento de assassinatos e sequestros.
Entre os investigados está o advogado Ícaro Cardoso Viana. Segundo a investigação, ele foi filmado recebendo instruções para buscar duas pistolas com um familiar de um dos traficantes. Em outro registro, aparece anotando valores relacionados ao comércio de drogas enquanto um detento utiliza codinomes para se referir aos entorpecentes. Os investigadores também apontam que a organização utilizava cheques bancários para controlar parte da movimentação financeira.
Outra investigada é a advogada Fernanda Oliveira Borges. Conforme as imagens analisadas pela investigação, ela retirava papéis escondidos sob as roupas enquanto recebia informações sobre a movimentação financeira do tráfico. Ainda segundo a apuração, a advogada também anotava orientações para cobranças de dívidas mediante ameaças e instruções relacionadas ao planejamento de sequestros.
A investigação também cita Maria Mariana Batista de Oliveira. Os relatórios apontam que ela mantinha contato frequente com uma liderança do Comando Vermelho. Em uma das gravações, a advogada comunica ao preso a morte de um integrante da facção durante uma operação policial. Na sequência, o detento faz comentários sobre ataques contra policiais e repassa informações sobre armamentos, munições e orientações para o preparo de drogas destinadas à comercialização.
Investigação aponta atuação além da defesa jurídica
Segundo os relatórios produzidos pelos investigadores, os advogados investigados teriam ultrapassado os limites da atuação profissional, prestando suporte às organizações criminosas fora dos processos judiciais.
Conforme a apuração, eles mantinham integrantes das facções informados sobre o fluxo financeiro do tráfico e também auxiliavam na divulgação de fotografias e vídeos de drogas em aplicativos de mensagens com o objetivo de ampliar as vendas e fortalecer a atuação dos grupos criminosos. As investigações seguem em andamento.
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