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Galípolo alerta para baixa produtividade e vê risco maior de inflação acima da meta

Galípolo alerta para baixa produtividade e vê risco maior de inflação acima da meta

Presidente do Banco Central defende avanço tecnológico e inteligência artificial para aumentar eficiência da economia brasileira

Por: Redação

03/06/2026 às 08:29

Imagem de Galípolo alerta para baixa produtividade e vê risco maior de inflação acima da meta

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a baixa produtividade da economia brasileira tem dificultado o controle da inflação e reduzido a eficácia da política monetária. A avaliação foi apresentada durante participação remota no Fórum de Lisboa, em Portugal, em meio ao aumento das preocupações do mercado com o comportamento dos preços no país.

Segundo Galípolo, o Brasil vive um cenário de renda em patamares elevados e desemprego próximo das mínimas históricas, mas enfrenta dificuldades para ampliar sua capacidade de produção e geração de riqueza. Na avaliação do presidente do Banco Central, essa limitação estrutural aumenta as pressões inflacionárias e dificulta o equilíbrio entre crescimento econômico e estabilidade de preços.

O dirigente da autoridade monetária defendeu a modernização tecnológica das empresas como uma das principais alternativas para elevar a produtividade nacional. Entre as medidas citadas está a ampliação do uso de inteligência artificial e automação nos processos produtivos, estratégia que, segundo ele, pode contribuir para aumentar a oferta de bens e serviços sem gerar pressões adicionais sobre os preços.

A declaração ocorre em um momento em que o Banco Central mantém a taxa Selic em 14,5% ao ano, patamar considerado elevado e utilizado como instrumento para conter a inflação e desacelerar o consumo. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está marcada para os dias 16 e 17 de junho, quando a instituição voltará a avaliar o cenário econômico e o custo do crédito no país.

Enquanto isso, os indicadores de mercado seguem apontando deterioração das expectativas inflacionárias. O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central registrou a décima segunda alta consecutiva na projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador oficial da inflação. A estimativa passou de 5,04% para 5,09%, acima do teto da meta estabelecida pelo sistema monetário brasileiro.

As projeções também indicam que a taxa Selic deverá encerrar o ano em 13,25%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro espera uma redução gradual dos juros para 11,25% e 10%, respectivamente.

Apesar das preocupações com a inflação, os analistas revisaram levemente para cima a expectativa de crescimento da economia brasileira em 2026. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,89% para 1,9%, impulsionada principalmente pelo desempenho do setor agropecuário, que voltou a sustentar parte relevante da expansão econômica nacional.

A pesquisa Focus também manteve a previsão para o dólar em R$ 5,16 ao final do ano, refletindo uma expectativa de estabilidade cambial mesmo diante das incertezas envolvendo inflação, juros e o cenário internacional.

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