Correios zombam do país com aval do governo Lula, diz Estadão
Jornal afirma que estatal compromete credibilidade ao suspender medidas de recuperação em meio à ameaça de greve e questiona necessidade de novos empréstimos
Por: Redação
15/07/2026 às 09:47
Foto: Divulgação
Editorial publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo criticou a decisão dos Correios de suspender parte do plano de reestruturação da empresa após a ameaça de paralisação dos funcionários. Segundo o texto, o recuo evidencia a fragilidade da gestão da estatal e amplia as dúvidas sobre sua recuperação financeira.
Entre as medidas adiadas até pelo menos 31 de julho estão o fechamento de agências e o fim da gratificação paga aos empregados que atuam no atendimento ao público. Na avaliação do editorial, a suspensão dessas iniciativas ocorre justamente quando os Correios buscam recuperar a confiança do mercado para obter novos financiamentos.
O jornal lembra que o plano de reestruturação foi apresentado como contrapartida para a contratação de um empréstimo de R$ 12 bilhões, firmado no fim de 2025 com cinco instituições financeiras, incluindo dois bancos públicos. O editorial destaca ainda que a estatal acumulou 14 trimestres consecutivos de prejuízo e encerrou 2025 com déficit de R$ 8,5 bilhões.
Segundo o texto, a empresa ainda precisará contratar entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões em novos empréstimos ao longo deste ano para manter suas operações. Diante da interrupção parcial do plano de recuperação, o editorial questiona se os Correios conseguirão convencer instituições financeiras a conceder novos créditos.
O editorial também afirma que o Tribunal de Contas da União (TCU) analisa as premissas financeiras utilizadas para embasar a garantia concedida na operação de crédito da estatal. Além disso, menciona que os Correios registraram prejuízo de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026 e ressalta que outras medidas previstas no plano de recuperação — como programa de demissão voluntária, venda de imóveis ociosos e mudanças no plano de saúde dos empregados — também poderão ser revistas caso a paralisação seja confirmada.
Na conclusão, o editorial sustenta que empresas privadas em situação semelhante dificilmente permaneceriam em atividade e atribui ao governo federal a responsabilidade por manter a estatal nas atuais condições financeiras.
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