Início
/
Notícias
/
Brasil
/
Dino dá 10 dias para Hugo Motta explicar tramitação de emendas sob investigação
Dino dá 10 dias para Hugo Motta explicar tramitação de emendas sob investigação
Ministro do STF determinou envio de documentos relacionados a emendas investigadas pela Polícia Federal e manteve suspensão da execução dos recursos sob suspeita
Por: Redação
13/07/2026 às 09:07

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), apresente, no prazo de dez dias, toda a documentação referente à tramitação interna de emendas parlamentares investigadas por suspeitas de irregularidades e direcionamento indevido de recursos públicos.
Na decisão, Dino determinou que a Câmara encaminhe os documentos de forma individualizada, organizados por emenda, para subsidiar as investigações conduzidas pela Polícia Federal. O despacho também estabelece que a documentação seja enviada dentro do prazo fixado pelo Supremo.
A medida ocorre após decisões recentes do ministro que bloquearam R$ 119,2 milhões em emendas parlamentares ligadas às investigações sobre um suposto esquema de direcionamento irregular de verbas públicas. Segundo a Polícia Federal, o caso envolve indícios de atuação de pessoas sem mandato eletivo na definição da destinação dos recursos.
Além da determinação à Câmara, Dino ordenou que a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) suspendam imediatamente qualquer etapa da execução orçamentária das emendas citadas pela investigação, incluindo empenho, liquidação e pagamento.
As investigações apontam que servidores da Câmara teriam participado da operacionalização de pelo menos 21 emendas consideradas suspeitas. No despacho, o ministro afirmou que existem "veementes indícios convergentes" sobre possíveis irregularidades, mas ressaltou que ainda não é possível concluir que houve efetivo desvio de recursos, uma vez que o inquérito permanece em andamento.
Na sequência das decisões, Dino também determinou o bloqueio de até R$ 6,15 milhões em bens e valores do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o ex-deputado teria influenciado a indicação de emendas parlamentares por meio de servidores da Casa, mesmo sem exercer mandato desde 2016. A corporação sustenta que parte das indicações teria sido formalizada em nome de parlamentares para ocultar o verdadeiro responsável pelas destinações.
Em resposta, Hugo Motta afirmou que a decisão representa uma "indevida intervenção judicial" sobre uma atividade típica do Poder Legislativo. O presidente da Câmara argumentou que o despacho não aponta desvios comprovados de recursos públicos e criticou o que classificou como tentativa de criminalizar a atividade política. Motta também defendeu a atuação dos servidores da Câmara, afirmando que é prática regular parlamentares delegarem procedimentos administrativos às suas equipes.
Veja mais em >>> Rede Comunica Brasil




