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Escritório comercial dos EUA recomenda novas tarifas sobre produtos brasileiros
Escritório comercial dos EUA recomenda novas tarifas sobre produtos brasileiros
Recomendação foi enviada ao presidente Donald Trump após encerramento das negociações; governo Lula ainda busca ampliar lista de exceções às medidas
Por: Redação
15/07/2026 às 15:18

Foto: EPA/Shutterstock
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) encaminhou ao presidente Donald Trump a recomendação final para a adoção de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A informação foi comunicada pelo chefe do órgão, Jamieson Greer, durante reunião virtual realizada com representantes do governo brasileiro, na qual afirmou que as negociações entre os dois países foram encerradas.
Segundo relatos da reunião, Greer afirmou que o governo brasileiro não apresentou avanços suficientes nas negociações e responsabilizou Brasília pela falta de acordo. O representante comercial também informou que a lista de produtos isentos poderá ser ampliada, mas indicou que a decisão final caberá ao presidente Donald Trump.
A posição foi contestada por integrantes da delegação brasileira, entre eles o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, o secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, Maurício Lyrio, e o assessor internacional da Presidência da República, Audo Faleiro.
Durante o encontro, representantes do governo brasileiro argumentaram que a investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio não apresenta fundamentos técnicos suficientes para justificar a adoção das novas tarifas. A delegação também contestou críticas relacionadas ao desmatamento na Amazônia e relembrou proposta brasileira de reduzir tarifas sobre o etanol em troca de maior acesso do açúcar nacional ao mercado americano, sugestão que, segundo o relato, foi rejeitada pelo USTR.
Jamieson Greer afirmou ainda que não haverá uma "lista dinâmica" de exceções às novas tarifas, indicando que, diferentemente de medidas adotadas anteriormente, a relação de produtos beneficiados não deverá ser ampliada de forma gradual após o anúncio oficial. Apesar disso, declarou ter registrado os argumentos apresentados pelo setor privado e pelo governo brasileiro em defesa da inclusão de novos produtos entre as exceções.
Segundo integrantes do governo Lula, parte significativa do comércio bilateral envolve subsidiárias de empresas norte-americanas instaladas no Brasil, responsáveis por exportar peças e componentes para suas matrizes nos Estados Unidos. A avaliação do Executivo é que esse argumento pode contribuir para ampliar a lista de produtos poupados das novas tarifas.
Pelos cálculos da equipe econômica brasileira, o pacote tarifário em discussão poderá atingir aproximadamente 21% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, considerando o valor total embarcado. O governo acredita que uma eventual ampliação das exceções poderá reduzir esse impacto sobre o comércio bilateral.
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