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Farmacêutica ligada ao antigo fundo do Master atrasa entrega de insulina ao SUS e é notificada pelo governo

Farmacêutica ligada ao antigo fundo do Master atrasa entrega de insulina ao SUS e é notificada pelo governo

Ministério da Saúde cobra esclarecimentos da Biomm após atraso em contrato milionário; pasta afirma que não há desabastecimento na rede pública

Por: Redação

25/05/2026 às 09:54

Imagem de Farmacêutica ligada ao antigo fundo do Master atrasa entrega de insulina ao SUS e é notificada pelo governo

Foto: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

O fornecimento de insulina ao Sistema Único de Saúde (SUS) voltou ao centro das atenções após registros oficiais apontarem atraso na execução de um dos principais contratos de abastecimento do país. A farmacêutica Biomm, que até recentemente tinha como principal acionista um fundo ligado ao antigo Banco Master, foi notificada pelo Ministério da Saúde para prestar esclarecimentos sobre pendências na entrega do produto ao governo federal.  

Dados do contrato indicam que ainda restam mais de 1,57 milhão de doses de insulina a serem entregues, número equivalente a cerca de 20% do total previsto no acordo firmado em junho do ano passado, faltando aproximadamente um mês para o encerramento do cronograma.  

Diante da situação, o Ministério da Saúde informou ter acionado formalmente a empresa, mas afirmou que não há falta de insulina no SUS e que o abastecimento segue regular nos estados. Segundo a pasta, foram adotadas estratégias para evitar riscos de descontinuidade, incluindo contratos diversificados e fortalecimento da produção nacional.  

A Biomm atribuiu os atrasos a dificuldades logísticas internacionais, citando conflitos na região do Golfo e restrições globais no fornecimento da substância em escala mundial. Em nota, a farmacêutica afirmou que os contratos seguem “substancialmente atendidos” e declarou que alterações no cronograma não afetaram a execução do acordo.  

O contrato é executado por meio de parceria entre o Ministério da Saúde e a Fundação Ezequiel Dias (Funed), laboratório público vinculado ao governo de Minas Gerais. A produção da insulina, porém, é feita pela Biomm em parceria com o laboratório indiano Wockhardt, dentro de um acordo de transferência tecnológica aprovado pelo governo federal ainda em 2017.  

No decorrer do contrato, a estrutura societária da Biomm também passou por mudanças. Até abril deste ano, a farmacêutica tinha como principal acionista um fundo de investimentos controlado pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro. Após a liquidação do fundo Cartago FIA, as ações chegaram ao Banco de Brasília (BRB) e, posteriormente, foram vendidas à gestora Alaska Asset Management.  

Outro fator apontado no processo envolve a parceira indiana Wockhardt. Segundo informações do caso, a empresa apresentou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) um pedido de alteração no processo de fabricação da insulina, posteriormente rejeitado pela agência após exigências técnicas e meses de análise.  

O valor total do contrato é de R$ 142,1 milhões para o fornecimento de mais de 8 milhões de doses. Até agora, registros do governo mostram apresentação de notas fiscais equivalentes a R$ 114 milhões, indicando que parte significativa do fornecimento ainda permanece pendente.  

Segundo o Ministério da Saúde, 85,7% das entregas previstas pela Funed já foram executadas e a pasta acompanha “de forma rigorosa” o cumprimento dos contratos, notificando fornecedores em caso de descumprimento de cronogramas.  

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