Folha defende afastamento de Moraes e Gonet em meio à crise no STF
Editorial do jornal critica concentração de poderes individuais na Corte e cobra sessão pública para analisar suspeitas envolvendo ministros
Por: Redação
10/09/2026 às 10:48

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Um editorial publicado pela Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (10) defende o afastamento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, como forma de tentar recuperar a credibilidade da Corte. O texto também cobra uma análise pública das suspeitas relacionadas a integrantes do Supremo e ao caso Banco Master.
Segundo o editorial, a concentração de poderes nas mãos de ministros, especialmente por meio de decisões monocráticas, contribuiu para o atual cenário de desgaste institucional. A publicação associa a crise às controvérsias envolvendo Moraes e Dias Toffoli e afirma que a falta de decisões colegiadas e de autocontenção ampliou os questionamentos sobre a atuação do tribunal.
A Folha também cita as investigações da Polícia Federal sobre o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e seus contatos com integrantes do Judiciário. Conforme o texto, Vorcaro manteve contrato com o escritório da família de Moraes e teria facilitado negócios envolvendo Toffoli.
Editorial questiona atuação de ministros
O jornal critica ainda a condução do caso envolvendo Toffoli. Segundo a publicação, embora o ministro tenha deixado a relatoria do caso Banco Master, o STF não teria realizado uma análise pública das suspeitas levantadas durante as investigações.
A reação de Moraes após a divulgação do relatório da PF também é questionada. O documento identificou o ministro como interlocutor em diálogos com Vorcaro. Em relação ao episódio, o editorial faz críticas diretas à atuação do magistrado.
A decisão de Flávio Dino de reintegrar Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal também é mencionada. Dino havia revertido individualmente o afastamento determinado por André Mendonça e posteriormente respaldado pela maioria da 2ª Turma do STF. Para a Folha, a decisão agravou o quadro institucional.
Sessão pública é defendida
O editorial atribui ao presidente do STF, Edson Fachin, a responsabilidade de conduzir uma resposta institucional à crise. O ministro marcou para 15 de setembro uma sessão do plenário para analisar decisões relacionadas ao caso.
A Folha defende que a sessão seja realizada de forma pública, permitindo que os fatos e as suspeitas sejam analisados de maneira transparente. O jornal sustenta que a divulgação ampla das informações seria necessária para recuperar a confiança na Corte.
O editorial encerra a defesa de maior transparência afirmando que os fatos devem ser apresentados rapidamente e de forma aberta.
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