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Governo Lula volta a criticar possível tarifa dos EUA e tenta evitar novas barreiras comerciais
Governo Lula volta a criticar possível tarifa dos EUA e tenta evitar novas barreiras comerciais
Em reunião com representante comercial americano, governo classificou proposta de sobretaxas como injusta e reforçou aposta em negociação diplomática
Por: Redação
15/07/2026 às 09:32

Foto: Ricardo Stuckert/PR/JC
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a manifestar oposição à possibilidade de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em reunião realizada nesta terça-feira (14), representantes dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), das Relações Exteriores e da assessoria especial da Presidência classificaram a medida como "injusta" durante encontro com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.
A reunião ocorreu na véspera do prazo previsto para que o governo do presidente Donald Trump decida sobre a adoção de novas sobretaxas contra produtos brasileiros. Segundo o MDIC, este foi o quinto encontro entre autoridades dos dois países desde o início das negociações, em maio.
As discussões envolvem a possibilidade de aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, além de uma tarifa adicional de 12,5% vinculada a uma investigação sobre trabalho forçado, medida que também poderá atingir exportações de outras economias.
Em nota, o governo brasileiro afirmou que considera a adoção das tarifas incompatível com a busca por um entendimento bilateral. Segundo o Executivo, a imposição de novas barreiras comerciais não representa o caminho adequado para a construção de um acordo entre os dois países.
A orientação do presidente Lula, de acordo com integrantes do governo, é manter o diálogo com Washington e buscar uma solução negociada. Embora avaliem que houve avanços nas conversas nos primeiros meses, interlocutores do Planalto afirmam que a posição norte-americana tornou-se mais rígida nas últimas semanas.
As possíveis tarifas decorrem de uma investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio, que aponta supostas práticas brasileiras consideradas prejudiciais aos interesses comerciais americanos em áreas como comércio digital, sistema Pix, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal. O governo brasileiro contesta as alegações e sustenta que elas não justificam a adoção das sobretaxas.
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) citado pelo governo aponta que aproximadamente 4,2 mil produtos brasileiros, equivalentes a cerca de US$ 15 bilhões em exportações para os Estados Unidos, poderão ser atingidos pelas medidas. Entre os itens listados estão ferro-gusa, molduras de madeira, álcool etílico, aeronaves, produtos agropecuários e insumos industriais.
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