Lula sanciona IR zero sem apoio dos presidentes da Câmara e do Senado
Ausência de Alcolumbre e Motta expõe crise crescente entre Congresso e governo petista
Por: Redação
26/11/2025 às 13:23

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
A cerimônia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para sancionar a lei que isenta do Imposto de Renda quem recebe até R$ 5 mil mensais teve dois desfalques de peso: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Ambos decidiram não comparecer ao evento realizado na manhã desta quarta-feira (26) no Palácio do Planalto — gesto que escancarou o desgaste entre o Executivo e o Legislativo.
A ausência simultânea dos dois chefes do Congresso, mostrada no registro fotográfico da página 2 do documento, foi interpretada no Planalto como um recado direto ao presidente Lula, que há semanas acumula atritos com suas principais lideranças parlamentares.
Alcolumbre ficou profundamente contrariado com a insistência de Lula em indicar Jorge Messias, advogado-geral da União, ao STF. O senador defendia Rodrigo Pacheco para a vaga. Desde então, o presidente do Senado deixou de conversar com Jaques Wagner e avisou aliados que colocaria em votação pautas “prejudiciais ao governo”.
A promessa virou fato: na terça-feira (25), o Senado aprovou um projeto de impacto bilionário — R$ 24,7 bilhões — ampliando a aposentadoria especial para agentes de saúde e combate a endemias. O texto agora segue para a Câmara.
Na Câmara, o clima não é diferente. Hugo Motta cortou relações com o líder do governo, Lindbergh Farias (PT-RJ), após desentendimentos contínuos.
A relação azedou de vez quando Lula, ao lado de Motta, declarou que o Congresso “nunca teve um nível tão baixo como agora”. A fala — registrada em eventos públicos — foi considerada um insulto direto ao Parlamento.
A escolha do relator do PL Antifacção também ampliou o atrito: Motta designou Guilherme Derrite, aliado do governador Tarcísio de Freitas e cotado para disputar a Presidência em 2026, contrariando os interesses do governo federal.
Motta, em seguida, acusou Lula de ter adotado “o caminho errado” e disse que sua base precisará explicar por que votou contra o próprio projeto.
Lindbergh tentou minimizar o boicote, chamando-o de “questão menor”, mas nos bastidores a leitura é outra: a ausência de Alcolumbre e Motta simboliza o pior momento da articulação política petista desde o início do governo.
A lei do IR zero é tratada por Lula como prioridade para tentar recuperar aprovação popular — e, ainda assim, os dois principais líderes do Congresso optaram por não legitimar o evento com sua presença.
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