MP pede afastamento de vice-governador petista movimentou R$ 9,6 milhões
Investigação identifica movimentações milionárias incompatíveis com renda e uso de fracionamento para ocultar origem de recursos
Por: Redação
26/03/2026 às 08:30
Foto: Reprodução/Redes Sociais
O Ministério Público do Maranhão solicitou o afastamento cautelar do vice-governador Felipe Camarão (PT) no âmbito de uma investigação que apura movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada e o uso de terceiros para circulação de recursos.
A apuração revelou ainda a possível participação de policiais militares lotados no Gabinete Militar do governo estadual, ampliando o alcance do caso dentro da estrutura administrativa.
De acordo com dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o tenente-coronel Thiago Brasil Arruda movimentou mais de R$ 9,6 milhões entre maio de 2023 e novembro de 2024 — valor considerado desproporcional à sua remuneração mensal, estimada em cerca de R$ 21 mil.
No período, foram identificados aproximadamente R$ 4,8 milhões em créditos e R$ 4,7 milhões em débitos. Para o Ministério Público, os valores indicam possível incompatibilidade com a renda oficial, além de um padrão de dispersão rápida dos recursos, com transferências para terceiros.
Segundo a investigação, parte dessas movimentações teria alcançado pessoas ligadas ao núcleo familiar e político do vice-governador, o que reforçou o pedido de afastamento para preservar a apuração.
Os investigadores também apontam o uso da técnica conhecida como “smurfing”, caracterizada pelo fracionamento de depósitos em dinheiro vivo para evitar mecanismos de detecção automática. Mais de R$ 1 milhão teria sido depositado dessa forma, segundo os autos.
Em relação ao vice-governador, o relatório indica a entrada de R$ 1,72 milhão em créditos salariais e outros R$ 4,64 milhões de origens diversas, além de 230 depósitos sem identificação e cerca de R$ 360 mil em valores fracionados.
As movimentações incluem ainda mais de R$ 6,3 milhões em saídas financeiras, com despesas diversas e repasses a terceiros. Para o Ministério Público, o volume e a natureza das operações levantam dúvidas sobre a origem dos recursos.
Diante desses elementos, o órgão sustenta que a permanência dos investigados nos cargos pode comprometer a coleta de provas e o andamento das investigações. O caso está sob análise do Tribunal de Justiça do Maranhão.
Em nota, Felipe Camarão negou irregularidades e afirmou ser alvo de uma “campanha jurídico-midiática” com motivações políticas. Segundo ele, todos os recursos têm origem lícita e foram devidamente declarados às autoridades competentes.
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