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MPF aperta cerco contra Hugo Motta por funcionária fantasma e suspeita de rachadinha

MPF aperta cerco contra Hugo Motta por funcionária fantasma e suspeita de rachadinha

Procuradoria vê “dano ao erário” em nomeação de fisioterapeuta e amplia apuração sobre esquema no gabinete do presidente da Câmara

Por: Redação

06/11/2025 às 07:46

Imagem de MPF aperta cerco contra Hugo Motta por funcionária fantasma e suspeita de rachadinha

Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O Ministério Público Federal (MPF) aumentou a pressão sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), após identificar indícios de “funcionária fantasma” e rachadinha em seu gabinete. A Procuradoria avalia que houve “dano ao erário” na contratação da fisioterapeuta Gabriela Batista Pagidis, que recebeu mais de R$ 807 mil em salários ao longo de oito anos sem comprovação de frequência no trabalho.

A jovem, que também atuava em clínicas particulares de Brasília, foi exonerada em julho de 2025 — mas, segundo o procurador da República Harold Hoppe, a demissão “não elimina o prejuízo causado ao poder público”.

“Embora o ato tenha sido revogado por meio da exoneração da ex-servidora, produziu efeitos jurídicos durante todo o período em que esteve em vigor, devendo ser ressarcido eventual dano ao erário ocorrido”, escreveu o procurador em manifestação de 27 de outubro.

O caso é analisado no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), após ação popular do advogado Rafael Severino Gama, que pede anulação da contratação e devolução integral dos salários pagos.

 

MPF rejeita defesa de Motta e da União

O MPF defendeu a continuidade do processo, barrando as tentativas de arquivamento apresentadas pela Advocacia-Geral da União (AGU) e pela defesa da Câmara. Ambas alegaram que, como Gabriela já havia sido exonerada, não haveria motivo para manter a ação.

A AGU ainda argumentou que o acúmulo de atividades privadas seria permitido, desde que o servidor cumprisse o expediente regular. Contudo, investigações mostram que Gabriela trabalhava em dois consultórios de fisioterapia e frequentava a faculdade de período integral, o que tornava inviável o exercício simultâneo das funções públicas.

“O ato praticado deve ser declarado nulo desde o seu nascedouro, caso se comprove o desvio da finalidade pública”, reforçou o MPF.

 

Esquema de rachadinha e nepotismo

A situação de Gabriela se soma a outras denúncias graves envolvendo o gabinete de Hugo Motta. Documentos já revelaram que sua chefe de gabinete, Ivanadja Velloso Meira Lima, possuía procurações “amplas e ilimitadas” para movimentar contas e salários de assessores — um indício típico de rachadinha.

O total de remunerações sob suspeita ultrapassa R$ 4 milhões, segundo levantamento obtido pelo Metrópoles.

Além disso, Motta teria empregado quatro parentes da família Pagidis: a mãe, Athina; a irmã, Barbara; a tia, Adriana; e o primo, Felipe, que juntos receberam R$ 2,8 milhões em salários da Câmara.

O processo está em fase de produção de provas, e ainda não há data para julgamento. A Procuradoria da República no Distrito Federal (PRDF) também conduz uma investigação paralela sobre o esquema de rachadinha no gabinete do deputado.

Até o momento, Hugo Motta não se manifestou sobre as acusações.

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