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MPTCU pede ao TCU investigação sobre acúmulo de cargos do ministro da Educação

MPTCU pede ao TCU investigação sobre acúmulo de cargos do ministro da Educação

Representação questiona atuação simultânea de Leonardo Barchini no Ministério da Educação e no conselho fiscal da Cagece e solicita definição sobre os limites da acumulação de funções públicas

Por: Redação

13/07/2026 às 07:50

Imagem de MPTCU pede ao TCU investigação sobre acúmulo de cargos do ministro da Educação

Foto: Divulgação/JC

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) solicitou ao Tribunal de Contas da União (TCU) a abertura de apuração para verificar a legalidade do acúmulo de cargos exercidos pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini. A representação foi apresentada na sexta-feira (10).

O pedido foi assinado pelo subprocurador-geral Lucas Furtado e tem como base a decisão da Comissão de Ética Pública da Presidência da República que autorizou Barchini a integrar o conselho fiscal da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), mesmo permanecendo no comando do Ministério da Educação.

Na representação, o MPTCU sustenta que o TCU deve avaliar se a acumulação de funções remuneradas respeita a Constituição Federal, que estabelece restrições à acumulação de cargos, empregos e funções públicas, além de examinar eventual impacto sobre o princípio da moralidade administrativa.

Segundo Lucas Furtado, a inexistência de conflito direto entre as atribuições do Ministério da Educação e da estatal cearense não encerra a discussão jurídica. Para o subprocurador, o próprio exercício do cargo de ministro de Estado, em razão dos poderes e da influência inerentes à função, pode ser incompatível com o desempenho simultâneo de atividades remuneradas em conselhos de empresas estatais.

Na manifestação, Furtado afirma que a autorização concedida pela Comissão de Ética pode abrir precedente para que outros ministros passem a integrar órgãos de administração ou fiscalização de empresas públicas, o que, segundo ele, poderia enfraquecer a regra constitucional sobre a inacumulabilidade de cargos e comprometer o princípio da moralidade administrativa.

O representante do MPTCU ressalta, contudo, que não solicita, neste momento, a devolução de valores eventualmente recebidos por Leonardo Barchini. Segundo ele, o ministro consultou previamente a Comissão de Ética Pública e teria agido de boa-fé ao aceitar a função.

Ao final da representação, o subprocurador pede que o Tribunal de Contas da União analise a existência de possíveis irregularidades e estabeleça um entendimento sobre a possibilidade de ministros de Estado exercerem, simultaneamente, funções remuneradas em conselhos fiscais de empresas estatais, mesmo quando não houver conflito direto de interesses.

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