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Operação mira suposto esquema de R$ 3,8 bilhões em sonegação

Operação mira suposto esquema de R$ 3,8 bilhões em sonegação

Ação do Cira cumpre mandados em São Paulo e no Paraná; investigação aponta uso de créditos tributários supostamente irregulares para reduzir pagamento de ICMS

Por: Redação

15/07/2026 às 10:04

Imagem de Operação mira suposto esquema de R$ 3,8 bilhões em sonegação

Foto: Divulgação/ Governo de SP

O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira/SP) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (15), a Operação Distrato para investigar um suposto esquema de sonegação fiscal que, segundo as autoridades, teria causado prejuízo superior a R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos. Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão está o escritório do advogado Nelson Wilians, citado nas investigações.

Ao todo, a operação cumpre 38 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Campinas, Jundiaí, Ribeirão Preto, Londrina e Cambé. As diligências têm como objetivo reunir novas provas, identificar os beneficiários do esquema e responsabilizar os envolvidos nas esferas administrativa, cível e penal.

Segundo a investigação, escritórios de advocacia e empresas de consultoria ofereciam a empresários paulistas créditos tributários com desconto, prometendo reduzir o pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Os intermediários alegavam que as operações eram autorizadas pela Secretaria da Fazenda de São Paulo e apresentavam a prática como uma modalidade legítima de planejamento tributário.

As autoridades afirmam, entretanto, que essa autorização não existia. Conforme a apuração, após aderirem ao modelo, empresas deixavam de recolher parte do imposto devido ao Estado e repassavam aos intermediários comissões que poderiam alcançar 70% do valor economizado. O Cira informa que foram identificadas irregularidades envolvendo 752 empresas.

Ainda de acordo com as investigações, os créditos tributários negociados estariam vinculados a empresas inativas, falidas ou a operações consideradas fictícias. Para conferir aparência de legalidade às transações, os investigados teriam utilizado contratos, procurações, apólices de seguro e documentos falsamente atribuídos à administração tributária.

Além de Nelson Wilians, a advogada Mayra Fahur de Paula, de Londrina (PR), também é apontada como integrante do núcleo principal do suposto esquema. Segundo os investigadores, a organização seria liderada por um grupo econômico ligado ao escritório de advocacia de Nelson Wilians.

O advogado já havia sido alvo de operação da Polícia Federal em setembro de 2025 no âmbito das investigações sobre descontos indevidos em benefícios do INSS. Na ocasião, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram movimentações financeiras consideradas atípicas e transferências para o empresário Maurício Camisotti, também investigado no caso.

Em manifestações anteriores, a defesa de Nelson Wilians afirmou que sua relação com Camisotti é exclusivamente profissional e sustentou que as operações financeiras mencionadas são lícitas e passíveis de comprovação documental. Procurada sobre a Operação Distrato, a defesa informou que se manifestará oportunamente.

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