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PF aponta que assessora atuava com aval da Câmara em suposto esquema ligado a Eduardo Cunha

PF aponta que assessora atuava com aval da Câmara em suposto esquema ligado a Eduardo Cunha

Investigação enviada ao STF sustenta que ex-deputado teria influenciado a destinação de emendas parlamentares mesmo sem exercer mandato; defesa nega irregularidades

Por: Redação

13/07/2026 às 09:39

Imagem de PF aponta que assessora atuava com aval da Câmara em suposto esquema ligado a Eduardo Cunha

Foto: Evaristo Sá/AFP

Documentos encaminhados pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF) apontam indícios de que a assessora parlamentar Mariângela Fialek, conhecida como "Tuca", teria atuado com respaldo da estrutura da Câmara dos Deputados para direcionar emendas parlamentares em benefício do ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos-MG).

As informações integram as investigações da Operação Transparência e embasaram a decisão do ministro Flávio Dino que determinou o bloqueio de até R$ 6,15 milhões em bens de Eduardo Cunha. A medida foi adotada no âmbito do inquérito que apura supostas irregularidades na destinação de recursos públicos por meio de emendas parlamentares.

Segundo a Polícia Federal, as conversas analisadas indicam que Mariângela Fialek teria atuado com conhecimento da administração da Câmara durante a gestão do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB). A investigação, entretanto, não aponta o envolvimento direto de Motta nos fatos apurados.

Em um dos trechos reproduzidos pela reportagem, a Polícia Federal afirma que há indícios de que a assessora possuía respaldo para atuar no direcionamento das emendas em favor de Eduardo Cunha. Conforme a investigação, Mariângela teria ciência de que operava em uma área considerada irregular ao destinar recursos de acordo com interesses privados.

Os investigadores sustentam ainda que, mesmo sem mandato parlamentar, Eduardo Cunha teria exercido influência sobre a destinação de pelo menos 29 emendas da Comissão de Saúde, em um montante de aproximadamente R$ 6,15 milhões. Segundo a PF, o ex-deputado teria atuado como agente privado com capacidade de interferir na distribuição de recursos federais.

A defesa de Eduardo Cunha informou que tomou conhecimento da decisão judicial pela imprensa e afirmou que o ex-parlamentar não foi intimado nem ouvido durante a investigação. Os advogados sustentam que Cunha não exercia mandato à época dos fatos, não apresentou nem assinou as emendas investigadas e negam qualquer irregularidade. Também afirmam que o bloqueio corresponde ao valor das emendas sob apuração, sem comprovação de desvio de recursos.

Já a defesa de Mariângela Fialek declarou que a assessora sempre desempenhou suas funções de forma técnica, impessoal e apartidária, rejeitando as suspeitas levantadas pela investigação. O caso segue em apuração no Supremo Tribunal Federal e, até o momento, não há condenação dos investigados.

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