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PF aponta suposto esquema de pagamentos ligados a Ciro Nogueira no caso Banco Master
PF aponta suposto esquema de pagamentos ligados a Ciro Nogueira no caso Banco Master
Decisão do STF autorizou buscas contra senador do PP após investigação identificar transações consideradas suspeitas pela Polícia Federal
Por: Redação
07/05/2026 às 17:05

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (7) uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira no âmbito das investigações sobre o escândalo envolvendo o Banco Master. A decisão teve como base relatório da Polícia Federal que aponta indícios de corrupção, lavagem de dinheiro e movimentações financeiras consideradas atípicas ligadas ao parlamentar e ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo a investigação, a empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., apontada pela PF como principal estrutura patrimonial vinculada ao senador e administrada por seu irmão, Raimundo Nogueira, adquiriu 30% de participação na Green Investimentos S/A, empresa associada a Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. O negócio chamou a atenção dos investigadores porque teria sido fechado por R$ 1 milhão, apesar de a participação ser estimada em cerca de R$ 13 milhões.
Na decisão, Mendonça cita que a diferença entre o valor de mercado e o montante efetivamente pago poderia indicar uma vantagem financeira indevida em favor da empresa ligada ao senador. A PF também afirma que mensagens obtidas durante a investigação indicariam uma tentativa de estruturar o recebimento de dividendos sem chamar atenção de órgãos de fiscalização.
Os investigadores apontam ainda que Felipe Vorcaro, então presidente da Green Investimentos, teria criado um fluxo de pagamentos para a empresa ligada a Ciro Nogueira por meio da BRGD S.A. Conversas analisadas pela PF mencionam uma “parceria BRGD/CNLF”, que teria resultado em pagamentos mensais de R$ 300 mil ao senador, posteriormente elevados para R$ 500 mil.
A operação também relaciona a negociação empresarial à chamada “Emenda Master”, apresentada por Ciro Nogueira em 2024 durante a tramitação da PEC nº 65/2023. A proposta previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) por depositante. Segundo a PF, documentos extraídos do celular de Daniel Vorcaro indicariam que o texto da emenda foi elaborado por integrantes do Banco Master e entregue ao senador, que teria protocolado o conteúdo sem alterações.
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, após a primeira fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de fraude bilionária contra o sistema financeiro nacional. De acordo com estimativas do próprio mercado, o FGC deverá desembolsar cerca de R$ 40 bilhões para ressarcir investidores da instituição financeira.
A defesa de Ciro Nogueira negou irregularidades. Em nota, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, afirmou que o senador “repudia qualquer ilação de ilicitude” e sustenta que não houve participação em atividades criminosas. A defesa também criticou medidas investigativas baseadas em troca de mensagens entre terceiros e declarou que pretende contestar judicialmente os fundamentos utilizados pela investigação.
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